Com novo CEO, Vivara tenta alinhar governança e reduzir instabilidade no comando

Com a escolha de um novo CEO e discurso de “estratégia de longo prazo”, a Vivara tenta reforçar a mensagem de que está reorganizando sua governança e buscando mais estabilidade no comando.

Nesta quinta-feira (10), o conselho de administração decidiu destituir Ícaro Borrello da presidência e Bruno Kruel Denardin da diretoria de operações, e anunciou a entrada de Thiago Lima Borges na presidência executiva e Cassiano Cunha como COO.

Desde 2024, a cadeira de CEO passou por Paulo Kruglensky, pela volta relâmpago do fundador Nelson Kaufman, por Otávio Lyra e, depois, por Ícaro Borrello. Agora, com a eleição de Borges, a joalheria chega à quinta troca de comando em cerca de dois anos.

Avanços de governança

A nova mudança vem depois de um período em que a governança da joalheria passou a ser um ponto de atenção para o mercado. Em 2024, a volta de Nelson Kaufman à gestão, após mais de uma década longe do dia a dia, levou à saída de Paulo Kruglensky do comando e provocou queda superior a 20% nas ações em poucos dias. A repercussão negativa fez o fundador recuar da operação e permanecer na presidência do conselho. Em julho de 2025, por questões de saúde, ele deixou também essa posição, assumida por sua filha, Marina Kaufman. Kruglensky voltou ao board a convite da prima.

Em entrevista ao InvestNews Kruglensky diz que a escolha de Thiago faz parte de um redesenho da governança, e não de uma solução apenas para o curto prazo. “A Marina me chamou no meio do ano para ajudar a estruturar esse modelo de governança, que vem em evolução”, afirma. “Contratamos uma consultoria, que analisou o perfil de toda a liderança para entender que tipo de executivo se encaixaria na nossa cultura e no nosso planejamento de longo prazo. Depois de diversas conversas, chegamos ao nome do Thiago.”

O histórico de permanência do novo CEO nas empresas em que passou foi um dos pontos considerados. Thiago tem passagens de sete a dez anos pelas empresas em que atuou. “É esse tipo de perfil que a gente busca aqui: alguém que venha completar o time e liderar junto com o board esse novo ciclo de crescimento”, diz Kruglensky. “É um projeto de longo prazo para manter uma expansão tão agressiva quanto a que estamos tendo.”

Borges, ex-CFO e RI da Smart Fit, onde segue como conselheiro, também acumula passagem pela Arezzo&Co. É administrador pela Unifacs e tem MBA pela Universidade de Stanford. Já passou por empresas com diferentes estruturas de controle – capital fechado com família e fundo, abertura de capital, controle com mercado minoritário – sempre com ajustes graduais na área de governança. “Em todas foi uma evolução ao longo de vários anos, e sempre continua tendo oportunidade de melhorar”, disse em entrevista ao InvestNews.

Kruglensky reforça que o conselho já vinha se aproximando mais da gestão, mas que a transição agora deixa os papéis mais definidos. “É uma evolução. A partir de agora, tanto eu quanto a Marina vamos acompanhar o Thiago dentro do processo e, com o tempo, ele vai assumindo a empresa. A gente passa a focar no nosso trabalho de conselho”, diz.

A nova troca de comando, porém, não altera o fato de que o histórico recente é de grande instabilidade na cadeira de CEO. Em cerca de dois anos, foram cinco mudanças, incluindo a volta de Nelson à operação, a passagem de outros executivos pelo posto e, agora, a saída de Ícaro Borrello junto com o diretor de operações, Bruno Kruel Denardin.

A própria companhia sabe que, para o mercado, a mensagem de longo prazo precisará ser comprovada com tempo de permanência e consistência de execução. Ao longo deste ano, porém, já vinha recuperando a confiança do mercado, com uma valorização de quase 85% da ação.

Life como alavanca

Segundo o novo CEO, a empresa tem melhorias de produtividade a fazer, o que passa pelo uso de ativos que a empresa já possui e que são, segundo ele, vantagem competitiva. “Se olharmos para o curto e médio prazo, tem um tema central de produtividade de loja – mas sempre ancorado numa espinha dorsal de sortimento e mix de coleção”, afirma. Ele cita planejamento de demanda, análise de ruptura e giro de estoque como frentes que vão exigir disciplina.

“Hoje a gente tem uma vantagem competitiva muito grande, que é a fábrica em Manaus. A questão é: como alavancar cada vez mais essa vantagem competitiva em prol do negócio?” O caráter mais assistido da venda também entra no radar. “Ter um CRM de classe mundial é algo que a gente vai olhar com muita atenção nesse ciclo de médio e longo prazo.”

Na frente de crescimento, a principal aposta continua sendo a Life, linha de joias de prata que ganhou escala nos últimos anos. “Quando você olha o mercado joalheiro, a Life já tem uma participação relevante. Mas, quando olha o mercado ‘presenteável’, ela pode crescer muito mais, afirma Kruglensky.

Ele destaca que a marca disputa orçamento com outros itens de presente, e não apenas com joias de concorrentes. “A Life não concorre só com joalheria: concorre com o chocolate, a blusinha, o sapato, o celular. Ela é um presente perfeito. Quando você olha esse tipo de concorrência, abre-se um mercado muito maior do que o de joalheria. É esse ponto que a gente quer trabalhar com a Life.”

Borges acrescenta que a Life também tem impacto em margem. “Em rentabilidade, é uma evolução contínua. Hoje a gente tem uma gestão de produtos em que alguns têm margem maior que outros – a própria Life tem uma margem um pouco maior”, diz. Segundo ele, tendências de consumo e escolha de mix podem ajudar a reforçar essa diferença. “A depender dos produtos que a gente apresenta, a margem naturalmente tem um impacto positivo”

Analistas veem essa combinação de produtividade e Life como o centro da tese da Vivara daqui para frente: de um lado, ganhos de eficiência em fábrica, estoques e lojas, de outro, uma marca com margem maior e espaço para avançar no mercado de presentes, ajudando a sustentar crescimento e expansão de rentabilidade ao mesmo tempo.

Além de Borges, a Vivara anunciou a chegada de Cassiano Lemos da Cunha, que assume uma função ligada a planejamento estratégico e alocação de produtos. O executivo já trabalhou com Paulo e Thiago na Arezzo&Co.

“A entrada do Cassiano é algo super importante. Foi uma pessoa que a gente já vinha procurando dentro do planejamento”, afirma Kruglensky. “Nós dois chegamos ao mesmo nome em conjunto, o que já mostra a sinergia do time.”

Fonte: Invest News

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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