Investidor bilionário diz que dívida pública sufoca EUA

Ray Dalio nunca foi exatamente otimista quando o assunto é dívida pública. Ele descreveu os US$ 38 trilhões que os Estados Unidos devem como um “ataque cardíaco” econômico prestes a acontecer.

Mas há opções para evitar uma crise assim, ele acredita — desde aumentar a arrecadação por meio de impostos até reduzir os gastos do governo. O único problema é que políticos dos dois lados do Capitólio precisariam chegar a um acordo de longo prazo para que isso acontecesse. E isso, teme o fundador da Bridgewater Associates, não vai ocorrer.

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O que preocupa os economistas não é necessariamente o valor absoluto da dívida de um país, mas sim sua relação dívida/PIB — e quanto dessa dívida corresponde a juros sobre empréstimos já existentes. No momento em que este texto foi escrito, a relação americana estava em aproximadamente 120%, e o governo gastava mais de US$ 10 bilhões por semana só para manter essa dívida.

Falando na Oxford Union, em uma entrevista divulgada na semana passada, Dalio foi questionado se recomendaria disciplina de gastos públicos para reequilibrar os orçamentos ou investimento em crescimento para melhorar a relação dívida/PIB.

“Na verdade, é um pouco de tudo”, ele disse, mas acrescentou que, no fim das contas, algum tipo de aliança política seria a bala de prata para colocar os Estados Unidos em um caminho de gastos do governo mais saudável.

Ele acrescentou: “Você precisa de um centro [político] forte porque os dois lados vão brigar entre si e provavelmente chegar ao ponto em que haja diferenças irreconciliáveis, que eles não consigam resolver — e coisas difíceis vão acontecer.”

Porém, se for possível criar um consenso robusto, isso permitirá que decisões “difíceis” sejam tomadas para “alcançar uma situação melhor”, acrescentou Dalio.

Mas ele prosseguiu: “Isso precisa ser feito de forma bipartidária, ou seja, eu gostaria de uma comissão bipartidária para lidar com a situação e alcançar isso. Eu não acho que essas coisas vão acontecer.”

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Dalio também lembrou ao público qual deve ser o desfecho, na visão dele.

Primeiro, ele repetiu sua teoria de que os gastos do governo para impulsionar a economia serão sufocados pelos pagamentos de juros necessários para manter a dívida — o “ataque cardíaco”.

Mas também alertou que a combinação de alta dívida com aumento das tensões geopolíticas pode ser uma mistura preocupante. “A dívida de um é o ativo de outro”, destacou Dalio.

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“Quando você tem muita dívida… pode ser que não acreditem que esses ativos serão boas reservas de valor — especialmente quando você também tem choques… entre países.

“Digamos que os chineses, que são credores dos Estados Unidos — se eles entendem a história ou mesmo o que vem acontecendo recentemente — [podem] se sentir ameaçados e achar que os títulos que detêm talvez não sejam pagos integralmente e podem ser usados como forma de sanção.”

Outras opções disponíveis

Muitos economistas acreditam que os cenários mais extremos previstos por Dalio não vão se concretizar porque o Federal Reserve deve intervir na questão da dívida antes que a crise realmente estoure. Eles têm uma ferramenta muito simples à disposição: o afrouxamento quantitativo.

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Embora seja uma opção impopular por vários motivos, ao aumentar a oferta de dinheiro, o Fed reduz o custo dos empréstimos de longo prazo e torna mais barato o pagamento da dívida.

Também há uma enorme — literalmente — fonte de oportunidades prevista para as próximas décadas. A Grande Transferência de Riqueza deve movimentar US$ 80 trilhões nos próximos 20 anos, segundo o UBS, e governos do mundo todo provavelmente vão querer participar desse processo.

A riqueza privada pode ser mobilizada por meio de incentivos, como oferecer títulos de prêmio isentos de impostos, ou por via legislativa, direcionando fundos de pensão para dívida pública doméstica, disse recentemente Paul Donovan, economista-chefe do UBS, em uma mesa-redonda com a imprensa.

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“Existem opções mais polêmicas”, ele acrescentou. “Como tributar riqueza via ganhos de capital ou impostos sobre herança. Na prática, o foco inicial tende a ser na repressão financeira — usar incentivos fiscais ou regulação para direcionar dinheiro para títulos públicos — antes de avançar para tributação da riqueza.”

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Fonte: Info Money

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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