Warner: na briga entre Netflix e Paramount, a sala de cinema pode ser a grande perdedora

A disputa pelo controle da Warner Bros. atingiu o ápice de tensão, mas, independentemente de quem saia vencedor — se a gigante do streaming Netflix ou a coalizão Paramount-Skydance —, o veredito para as salas de cinema parece ser um só: o setor caminha para um futuro de maior escassez e incerteza.

Embora a Warner tenha sido, historicamente, a “usina” que alimentava os exibidores com cerca de 22 lançamentos anuais, a nova configuração do estúdio sinaliza que o modelo tradicional de Hollywood está perdendo o fôlego diante de compradores ou avessos às telonas ou excessivamente endividados.

Segundo reportagem do The Wall Street Journal, o cenário para as salas de exibição já era delicado antes mesmo do leilão. Com uma bilheteria nos EUA estagnada em US$ 8,3 bilhões — longe dos US$ 11 bilhões registrados antes da pandemia —, o setor agora observa com ansiedade o cabo de guerra bilionário.

A Netflix, declarada vencedora inicial do certame, tenta suavizar sua imagem de “exterminadora de cinemas” ao prometer respeitar as janelas de exibição tradicionais. No entanto, o mercado desconfia que esse apetite dure apenas o tempo necessário para cumprir contratos pré-existentes, que seguem até 2029, quando a estratégia de priorizar o sofá deve voltar a ganhar força.

A Paramount tenta uma investida agressiva com uma oferta de US$ 30 por ação, superando os US$ 27,75 oferecidos pela Netflix. Para ganhar musculatura, David Ellison conta com o suporte financeiro de seu pai, o megabilionário Larry Ellison, que comprometeu US$ 40 bilhões em ações da Oracle para garantir a transação.

E, se a Paramount ostenta um DNA mais cinematográfico e promete lançar mais de 30 filmes por ano, a matemática financeira joga contra: analistas do Bernstein apontam que a fusão deixaria a nova companhia “alavancada até o pescoço”. Na prática, um estúdio sufocado por dívidas tende a abandonar a experimentação para apostar apenas em fórmulas prontas e franquias garantidas, como Harry Potter e DC Comics, encolhendo a diversidade das salas.

Visitantes se reúnem do lado de fora do Palace Theatre para uma apresentação de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada em Londres, Reino Unido. Foto: Chris J. Ratcliffe/Bloomberg

O ceticismo dos investidores já se traduz em números reais no mercado financeiro. No último mês, as ações da Cinemark caíram cerca de 18%. A AMC, maior rede de cinema dos EUA e com salas em diversos países da Europa, despencou mais de 30%.

Recentemente, o Morgan Stanley rebaixou a recomendação da Cinemark para neutra, observando que a incerteza sobre o compromisso real da Netflix com a distribuição física limita qualquer potencial de valorização dos papéis. É um sinal claro de que o mercado não vê o futuro comprador como um salvador da pátria para aos donos das salas de exibição.

Aqui no Brasil, a Paramount é dona da rede de cinemas UCI, que tem 29 complexos de salas de exibição no país. De acordo com reportagem de outubro do Pipeline, site do Valor Econômico, a controladora americana teria contratado a G5 Partners para vender a operação da UCI no Brasil e na Argentina. O movimento reforça a tese de que, mesmo para os players mais tradicionais, a prioridade tem sido a desalavancagem e a eficiência operacional em detrimento da manutenção de ativos físicos de exibição.

Mesmo que a Warner possua marcas valiosas e precise manter boas relações com os grandes talentos de Hollywood — que ainda valorizam o prestígio da tela grande —, as mudanças parecem inevitáveis. Nessa briga entre uma plataforma de tecnologia que busca escala digital e um estúdio tradicional que precisará cortar custos com ferocidade para sobreviver à dívida, o cinema clássico parece estar perdendo seu papel de protagonista, e o relógio para os donos das salas de exibição não para e os sinais de mercado tampouco são de que essa erosão pode ficar no passado.



Fonte: Invest News

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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