Com a queda de Maduro, a produção local tende a subir. Hoje ela está em 1,1 milhão de barris em 2025 – é o equivalente a um terço do que o Brasil extrai, com “apenas” 16,8 bilhões de barris em reservas provadas. Para dar uma ideia: 1,1 milhão de barris é a capacidade instalada de um único campo brasileiro, o de Búzios, maior do país.
Antes do chavismo, que assumiu o poder em 1999, a Venezuela chegou a produzir 3,5 milhões de barris por dia. Dali em diante o output foi caindo, tanto por sanções econômicas dos EUA como por mau gerenciamento da indústria petrolífera, cuja direção foi aparelhada por membros do regime.
Em 2018, a produção tinha caído para 1,4 milhão de barris. Em 2020, o fundo do poço: 500 mil barris (aí a pandemia entra na conta).
Dali em diante a produção foi se recuperando aos poucos, como o auxílio de petroleiras da China e da Rússia – e também da americana Chevron, que obteve autorização de seu governo para operar no país sancionado. Mesmo assim, os números atuais são fracos, como vimos: equivalem a um décimo da produção da Arábia Saudita, que tem reservas equivalentes.
As petroleiras de fora que operam na Venezuela são obrigadas por lei a formar joint ventures com a PDVSA (a Petrobras deles). É o caso da Chevron. Mas os números de produção não têm nada de espetaculares. A gigante americana tira 200 mil barris por dia lá. É pouco mais do que a extração local das três maiores junior oils brasileiras (Prio, Brava e PetroReconcavo).
Além da Chevron, as outras petroleiras ocidentais que produzem na Venezuela são a Repsol, da Espanha e a Eni, da Itália. Todas se encontram em uma boa posição com o eventual fim do regime.
Também operam ali a Roszarubezhneft, da Rússia, e a chinesa CNPC, que também extrai no Brasil – é dona de 3,7% do campo de Búzios, em parceria com a Petrobras.
O aumento da produção na Venezuela não virá do dia para a noite, claro, já que o desenvolvimento de novos campos leva anos. Ou seja: o efeito deletério sobre o preço do barril tende a acabar diluído por esse fator – lembrando que o barril está no menor nível em cinco anos (US$ 60) justamente por excesso de produção.
“Se os desdobramentos acabarem levando a uma mudança de regime de fato, isso pode resultar em mais petróleo no mercado ao longo do tempo”, disse Arne Lohmann Rasmussen, da consultoria Global Risk Management, à Reuters. “Mas vai levar tempo para que a produção se recupere totalmente”.
Fonte: Invest News




