Como a retomada argentina acelera as vendas de caminhões da Volkswagen no Brasil

Bloomberg Línea — A Volkswagen Caminhões e Ônibus aproveita a expansão do segmento no mercado argentino para ganhar escala localmente, de tal modo que amplia a integração entre a operação brasileira e a fábrica no país vizinho para elevar as vendas.

“O mercado [de caminhões] na Argentina cresce bastante, e nós, ainda mais. O programa de Javier Milei de estabilidade política ajudou muito o setor e, após inaugurarmos nossa fábrica lá, triplicamos o volume de vendas em 2025 na comparação com o ano anterior”, disse o presidente e CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes, em entrevista à Bloomberg Línea.

A linha de montagem de Córdoba foi inaugurada em 2024 em uma área de 15.000 metros quadrados para produzir caminhões e ônibus. A montadora exporta kits do polo brasileiro de Resende, no Rio de Janeiro, para a unidade argentina.

Na planta do país vizinho, o processo utilizado é conhecido no setor como CKD (Completely Knocked Down): o veículo é enviado do Brasil desmontado em partes para ser montado localmente, o que exige linhas de soldagem, pintura e união de componentes na unidade.

O modelo de negócio, explicou Cortes, permite ganho de “lead time”. “Tendo as peças em Córdoba, a produção é mais eficiente.”

Segundo o executivo, o mercado de caminhões argentino cresceu cerca de 35% no ano passado. “E nós crescemos 40% na Argentina”, disse.

Leia mais: Sem contato humano: Localiza reduz filas e acelera ganho de escala com digitalização

O executivo afirmou, por outro lado, que o desempenho na América Latina não tem sido uniforme.

No México, por exemplo, um importante mercado para o grupo, houve em 2025 uma mudança na legislação para caminhões, com a implementação da norma Euro 6, o que obrigou as montadoras a atualizar os modelos para reduzir as emissões, encarecendo os preços.

“O mercado mexicano é muito importante para nós, mas caiu em razão da entrada da nova lei de emissões Euro 6. De acordo com nossas estimativas, o setor fechou com uma queda de aproximadamente 30% em 2025”, disse o executivo.

No Brasil, maior mercado de caminhões e ônibus para o grupo no mundo, as vendas no acumulado de 2025 até novembro recuaram 8% sobre igual período do ano anterior, desempenho impactado pelos modelos extrapesados, amplamente destinados a setores como agronegócio e mineração.

Cortes afirmou que a Volkswagen depende menos do segmento, de modo que a montadora espera fechar o ano fiscal de 2025 com um crescimento de 10% no Brasil, tanto nas categorias leves quanto de pesados.

Em 2026, o cenário para a montadora é considerado positivo. Uma das principais alavancas de crescimento, segundo Cortes, é o lançamento de uma linha de financiamento para renovação de frota de veículos pesados.

A expectativa é que o governo destine R$ 6 bilhões para a modalidade por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com financiamento para compra de veículos novos e seminovos.

Os juros de financiamento convencional para compra de caminhões atualmente estão na faixa de 20% e espera-se que, com a nova linha do BNDES, a taxa caia para cerca de 14% a 15%, mediante cumprimento de determinadas exigências por parte das montadoras, como índice mínimo de conteúdo local.

Solução 100% elétrica

A Volkswagen foi a primeira montadora de veículos pesados do país a estabelecer, em Resende, a produção de caminhões leves 100% elétricos, família batizada e-Delivery.

Cortes disse que a montadora produz 99% de caminhões a combustão e apenas 1% elétricos, devido ao preço ainda elevado do modelo.

“O Brasil não produz baterias. Do custo total de um veículo elétrico, metade é bateria, e as empresas têm que importar o componente, que é perecível e geralmente vem da China, que é muito distante”, explicou.

“O veículo [elétrico] fica mais caro, mesmo produzido no Brasil. A grande maioria [dos clientes] acaba optando pelo modelo a combustão”, acrescentou.

Ele destacou, porém, que a montadora ainda acredita que, para o transporte urbano, o veículo 100% elétrico é a melhor alternativa. “Por isso investimos no e-Delivery, estamos comercializando na medida da necessidade do mercado.”

Na visão de Cortes, nos próximos cinco a sete anos, a curva de produção do elétrico deve ultrapassar a de combustão. “O custo do elétrico vai ser cada vez menor, como qualquer inovação, mas essa tendência nem começou.”

No chamado last mile (última etapa da cadeia de entrega de mercadorias), o executivo relatou que as empresas estão cada vez mais dispostas a adotar a solução elétrica.

“Vendemos o caminhão com carregador, damos garantia, acompanhamos de perto no pós-vendas, mas o volume é pequeno porque o preço ainda é alto.”

Leia mais: O fim da indústria automotiva como conhecemos: executivos do setor apontam nova era

O mesmo raciocínio, apontou Cortes, vale para os ônibus. A montadora lançou o e-Volksbus, voltado para aplicação urbana, que promete ser mais econômico do que o modelo a combustão nesta aplicação.

Contudo, para média e longa distância, ele disse acreditar que outras soluções ganham mais destaque, como os modelos de bicombustíveis.

“Tudo é questão de economia de escala e infraestrutura. O Brasil tem suas prioridades e investir em uma rede de carregamento para algo que, no país, ainda não é uma realidade, inibe as vendas. Teremos uma solução bem diversificada dependendo da aplicação e queremos oferecer todas as alternativas”, afirmou.

Ano eleitoral

O executivo disse identificar fatores positivos em maior quantidade do que negativos em 2026 no Brasil.

Em paralelo, a montadora espera mais investimento por parte do governo brasileiro em ano de eleição, o que acaba gerando resultados positivos em diversos setores, além de uma safra recorde.

“Em 2025, os fatores inibidores [das vendas] foram maiores. Devemos ter uma inversão em 2026”, avaliou.

O executivo acrescentou que a montadora se adapta ao cenário. “Estamos otimistas, mas com cautela. Vamos ajustando a empresa de acordo com as necessidades, mas sempre com foco e responsabilidade. Conquistar market share é consequência, não vamos mudar essa política”, disse Cortes.

Leia também

Esta fornecedora brasileira automotiva disputa com marcas globais e agora vai aos EUA

Para Lamborghini, mercado não está pronto para superesportivo 100% elétrico, diz CEO

Do mercado pet à comunicação ao consumidor: como a 3M planeja crescer no Brasil



Bloomberglinea

Obrigado por acompanhar nossas publicações. Nosso compromisso é trazer informação com seriedade, clareza e responsabilidade, mantendo você sempre bem informado sobre os principais acontecimentos que impactam nossa cidade, região e o Brasil. Continue nos acompanhando e participe deixando sua opinião — sua voz é essencial para construirmos juntos um jornalismo mais próximo do leitor.

Ismael Martins de Souza Costa Xavier

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat. Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur.

The most complete solution for web publishing

Fique sempre com a gente! Nosso jornal traz informação em tempo real, com credibilidade e proximidade. Acompanhe, compartilhe e faça parte dessa história.

Agradecemos a você, leitor, por nos acompanhar e confiar em nosso trabalho. É a sua presença que nos motiva a seguir levando informação com seriedade, clareza e compromisso. Seguiremos juntos, sempre em busca da verdade e da notícia que faz diferença no seu dia a dia.

Jornalista:

Compartilhe esta postagem:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *