O futuro da saúde suplementar: gestão, inovação e desempenho econômico

A expectativa para a saúde suplementar em 2026 é de um ano desafiador. Apesar dos sinais de recuperação após a pandemia, ainda há um cenário preocupante: uma em cada quatro operadoras apresenta resultado líquido negativo, evidenciando a necessidade de estratégias eficazes para garantir a sustentabilidade do setor.

Conforme dados da Federação Nacional de Saúde Suplementar – FenaSaúde, o cenário macroeconômico tem pressionado o setor. As operadoras de planos de saúde com resultado operacional negativo aumentaram desde o início do ano: eram pouco menos de 1/3 (202 operadoras – 31,7%) no 1T25 e já são quase metade agora (315 operadoras – 49,2%). Ao todo, 8,65 milhões de beneficiários estão em operadoras com resultado operacional negativo. No geral, o lucro líquido das operadoras médico-hospitalares registrou variação de -14,1% em relação ao trimestre anterior, passando de R$ 5,5 bilhões para R$ 4,8 bilhões.

Por outro lado, o desempenho econômico do país tem impulsionado a geração de empregos na saúde suplementar. Foram 1,7 milhão de novos empregos formais entre janeiro e setembro de 2025, elevando o total de vínculos ativos para 48,9 milhões. Esse cenário favorece a expansão na contratação de planos de saúde no próximo ano.

A queda na margem de lucro, passou de 6,7% para 5,6%, em 2025.

Para Bruno Sobral, diretor-executivo da FenaSaúde, a saúde suplementar é um ambiente complexo e sua boa condição econômico-financeira é essencial para o equilíbrio do sistema de saúde brasileiro como um todo. “O desafio de 2026 será ampliar o acesso de forma responsável garantindo que a incorporação de novas tecnologias não comprometa a sustentabilidade do setor principalmente para os beneficiários de pequenas cidades e regiões mais vulneráveis”, explica ele.

Crescimento dos Custos Assistenciais

Segundo especialistas do setor, um dos maiores gargalos do setor privado é o aumento constante dos custos assistenciais, impulsionado por fatores como o envelhecimento da população, maior demanda por tratamentos complexos e o uso de tecnologias avançadas. Esses custos pressionam as operadoras, que muitas vezes precisam reajustar os valores dos planos, gerando insatisfação entre os beneficiários.

De acordo com a FenaSaúde, a queda na margem de lucro, passou de 6,7% para 5,6%. Além disso, o índice combinado, que representa a relação entre as despesas operacionais (administrativas, de comercialização e assistenciais) e as receitas das contraprestações efetivas, apresentou um aumento de 1,1 ponto percentual, passando de 94,2% para 95,3%.

Perspectivas para o ano

A expansão dos planos de saúde em 2026 dependerá de preços acessíveis, especialmente para pequenas empresas, consideradas um termômetro do setor. No entanto, o mercado enfrenta desafios: a regra de reajuste dos planos individuais limita a oferta, concentrando mais de 83% das contratações nos planos coletivos.

Com 53 milhões de beneficiários, a saúde suplementar enfrenta desafios de gestão que demandam uma abordagem estratégica e integrada, baseada em inovação, eficiência operacional e foco na experiência dos usuários. Investir em tecnologia, promover ações de prevenção, capacitar profissionais e implementar soluções para reduzir custos, além de aprimorar a comunicação com os beneficiários, são medidas fundamentais para superar esses obstáculos e assegurar a sustentabilidade do setor.

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Além disso, os debates da ANS sobre reajuste de planos coletivos, coparticipação, oferta de planos segmentados e revisão da Lei nº 9.656/1998 também devem influenciar o mercado.

“Para 2026, projetamos um setor de saúde suplementar com foco em sustentabilidade, inovação e ampliação do acesso à população. É fundamental avançar em modelos de financiamento equilibrados, adotar novas tecnologias como inteligência artificial, fortalecer a coordenação do cuidado e a atenção primária, e implementar soluções como franquias para tornar os planos mais acessíveis. Precisamos também combater fraudes e reduzir a judicialização excessiva, garantindo que a expansão ocorra de forma responsável e com qualidade”, finaliza Raquel Reis, CEO da SulAmérica e Presidente da FenaSaúde.

Fonte: Saúde Business

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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