Um juiz rejeitou a primeira tentativa da Amazon.com de barrar a ida da Saks Global Enterprises ao Chapter 11 e autorizou um financiamento emergencial para a recuperação judicial da varejista de luxo nos Estados Unidos.
A gigante do comércio eletrônico alega que a Saks descumpriu um acordo para vender seus produtos na plataforma da Amazon e diz que sua fatia no negócio agora em recuperação é “presumivelmente sem valor”. Após uma audiência de 7h30 que avançou pela noite, a Saks conseguiu acesso a cerca de US$ 400 milhões em caixa, mas terá de voltar ao tribunal nas próximas semanas para tentar a aprovação definitiva de todo o pacote de financiamento, de US$ 1,75 bilhão.
A Amazon e outros credores que também contestam o empréstimo poderão tentar novamente convencer o juiz de falências Alfredo Perez, nos EUA, a derrubar ou alterar o acordo de dívida. Em depoimento em Houston, na noite de quarta-feira, assessores da Saks disseram que a empresa corria risco de liquidação caso não recebesse o dinheiro de imediato.
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Segundo a Amazon, em petição apresentada ao tribunal, o financiamento empurraria para a Saks bilhões de dólares em novas obrigações e traz outras condições que prejudicariam a própria Amazon e demais credores sem garantia da varejista.
Em 2024, a Amazon comprou uma participação minoritária na Saks como parte do acordo que ajudou a viabilizar a aquisição da Neiman Marcus por US$ 2,65 bilhões. A empresa informou ter investido US$ 475 milhões em ações preferenciais da varejista de luxo no âmbito da transação.
Esse investimento estava atrelado a um acerto para que a Saks vendesse produtos na plataforma da Amazon, incluindo o lançamento da iniciativa “Saks on Amazon”, de acordo com o documento protocolado pela companhia na quarta-feira. Em contrapartida, a Saks se comprometeu a pagar uma taxa de indicação (referral fee) e garantiu pelo menos US$ 900 milhões em pagamentos à Amazon ao longo de oito anos.
“A Saks repetidamente não cumpriu seus orçamentos, queimou centenas de milhões de dólares em menos de um ano e acumulou mais centenas de milhões em faturas em aberto com seus parceiros comerciais”, afirmou a Amazon no processo.
O diretor de reestruturação da Saks, Mark Weinsten, disse em audiência na quarta-feira que a empresa precisava com urgência de novo financiamento para continuar pagando fornecedores, salários e outras despesas.
Sem acesso a esses recursos, afirmou Weinsten, “estaremos mortos na água”. A varejista pediu autorização para sacar inicialmente US$ 400 milhões, com o restante do crédito sendo liberado em etapas posteriores do processo de Chapter 11.
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Um porta-voz da Amazon preferiu não comentar. A Saks não respondeu imediatamente aos pedidos de posicionamento.
Dias antes do pedido de Chapter 11, a Amazon já havia informado que se oporia ao financiamento da recuperação, segundo carta de 9 de janeiro divulgada na quarta-feira. A empresa diz que a Saks precisava do seu consentimento para uma parte central do empréstimo, mas que a Amazon se recusou a dar o aval.
Ainda assim, a varejista seguiu adiante com um financiamento oferecido por um grupo de credores já existentes, em um arranjo que, segundo a própria Saks, deve fortalecer o negócio. Em comunicado divulgado na quarta-feira, a empresa afirmou que todas as lojas de suas marcas seguem abertas.
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Fonte: Info Money




