Dona de quase um terço do mercado, a portuguesa Andorinha fica ainda mais “verde e amarela”

O azeite Andorinha é português de quatro costados. Foi criado em 1927, em um vilarejo de Abrantes, bem no miolo do país. Mas pouca gente sabe que a marca é quase brasileira, pois nasceu para atender os portugueses que haviam emigrado para cá. Hoje, 95% da produção é destinada ao Brasil — e a empresa está mais verde e amarela do que nunca.

Pela primeira vez, a companhia apresenta ao mercado brasileiro azeites inteiramente desenvolvidos aqui. Batizada de Criações do Brasil, a linha traz dois rótulos — um em parceria com a gaúcha Ouro de Sant’Ana e o outro com a mineira Vertentes. Os novos produtos serão lançados na próxima sexta-feira, 26 de setembro.

A R$ 80, a garrafa de 250 mililitros (ml), a Criações do Brasil tem sua venda limitada à Casa Andorinha e à loja virtual da marca. Realizada em 2019, 2022 e 2023 em São Paulo, este ano, a Casa Andorinha estreia no Rio de Janeiro. Misto de loja pop-up e restaurante, o espaço funciona de sexta a domingo, no número 201 da Rua Conde de Irajá, em Botafogo — em uma esquina de um dos points mais gastronômicos da cidade.

O casamento entre Andorinha e os olivicultores brasileiros é relativamente recente; está na quarta edição. Começou em 2019, com o lançamento de um lote produzido por Sibele e Fernando Rotondo, de Sant’Ana do Livramento, criadores do azeite Ouro de Sant’Ana.

Ao contrário dos extravirgens de perfil sensorial bem suave, como o Andorinha de rótulo verde, o mais conhecido da marca, o novo produto chegou trazendo as notas frescas de grama recém-cortada que caracterizam os azeites premium nacionais.

Foi uma aposta arriscada — mas não é que emplacou? A parceria com os Rotondo se repetiu em 2022 e 2023 e, este ano, foi ampliada.

O Ouro de Sant’Ana permanece como representante da olivicultura da região Sul, enquanto o Vertentes, de Andrelândia, no sul de Minas, vai mostrar a cara dos azeites da Serra da Mantiqueira.

Funciona como uma collab: os produtores tiveram autonomia para desenvolver os blends, que foram criados exclusivamente para Andorinha. A azeitóloga Ana Beloto assina o da Vertentes. Segundo ela, o óleo tem notas maduras e delicadas de banana e maçã, e de frutos tropicais, como goiaba.

“O amargor é suave, evoluindo para uma leve picância, com retrogosto floral surpreendente e sutil de camomila. Recomendo combiná-lo com carnes brancas, peixes assados, queijos frescos e doces mineiros”, ela antecipa ao NeoFeed.

Já o Ouro de Sant’Ana entrega mais intensidade. Tem notas aromáticas de tomate, banana verde, pimentão e amêndoas, com amargor médio e picância tardia e persistente — boa pedida para acompanhar carnes vermelhas, queijos curados e folhas amargas.

Embora sejam dois blends que não exageram na intensidade, o consumidor pode esperar um punch a mais. “A linha Criações do Brasil atinge os heavy users, que têm um olhar especial para atributos como amargor e picância”, diz ao NeoFeed a diretora de marketing da Andorinha, Loara Costa.

Chuva de fugilem

A portuguesa Sovena, que adquiriu a Andorinha em 2004, usou dois critérios para selecionar os parceiros brasileiros. Segundo Loara, entregar alta qualidade não era suficiente — tinha que ter escala de produção.

Não quer dizer, contudo, que os lotes tenham volume expressivo. Fernando Rotondo conta que, desde 2019, vende cerca de 200 litros para a Andorinha.

Este ano, mesmo que quisesse, a empresa portuguesa não conseguiria ampliar a aposta nos brasileiros — praticamente nenhum produtor nacional teve uma colheita digna de comemoração. Em todas as regiões produtoras do país, a quebra da safra foi significativa.

No Sudeste, faltou frio no inverno passado, época da brotação das oliveiras, e choveu demais na primavera, o que prejudicou a floração. Na Campanha Gaúcha, onde está Rotondo, o problema foi outro. “Em função das queimadas na Amazônia, tivemos nuvens pretas na primavera. Choveu fuligem nas flores”, conta.

Localizada na Serra da Mantiqueira, a Vertentes produziu 100 litros de azeite para a Andorinha (Foto: Divulgação)

“Em função das queimadas na Amazônia, tivemos nuvens pretas na primavera. Choveu fuligem nas flores”, conta Fernando Rotondo, da Ouro de Sant’Ana (Foto: Divulgação)

Cerca de 95% da produção da Andorinha no Alentejo, em Portugal, tem o Brasil como destino (Foto: Divulgação)

“A linha Criações do Brasil atinge os heavy users, que têm um olhar especial para atributos como amargor e picância”, diz Loara Costa, diretora de marketing da Andorinha (foto: Divulgação)

Para Vasco Campos, diretor da Sovena para América Latina, o Brasil continua a ser uma mina de ouro a ser explorada pela marca (Foto: Divulgação)

Idealizada para entretenimento dos foodies, a Oli é uma caixa com três azeites de diferentes perfis sensoriai para o consumidor criar seu próprio blend (Foto: Divulgação)

Raul Ermírio de Moraes, filho do fundador do Vertentes e responsável pelo marketing e comercialização da marca, confidencia ao Neofeed que só conseguiu destinar 100 litros à gigante portuguesa.

“Inicialmente, eles queriam 500 litros, mas era toda a nossa produção deste ano. Depois de muita conversa, o projeto ficou mais realista”, conta.

Embora a Sovena não divulgue números oficialmente, não é difícil imaginar que os 100 litros de Vertentes, somados aos 200 do Ouro de Sant’Ana, sejam uma gota no oceano de azeite produzido pela Andorinha.

A empresa declara deter 29% do mercado nacional. Para os produtores, mesmo que os lotes sejam limitadíssimos, ter suas marcas atreladas a uma gigante do setor – e estampadas com destaque nos rótulos – é uma vitrine e tanto, especialmente em um momento de produção em baixa, como o atual.

O risco vale a pena

Pergunto a Moraes se o azeite vendido à Andorinha não vai concorrer com o rótulo dele, que é vendido no e-commerce da Vertentes a R$ 118. O olivicultor admite que sim, mas considera que vale a pena correr o risco.

“Querendo ou não, mais gente vai conhecer meu produto. Como será uma ação pontual, esses consumidores podem acabar chegando à minha loja online”, aposta.

A coleção de azeites brasileiros não é o único tiro da Andorinha para aumentar sua participação no mercado nacional. Além de oferecer um portfólio variado, que vai dos azeites indicados para cozinhar aos rótulos premium, a empresa aposta no consumo de nicho.

O extravirgem orgânico Descobrindo o Azeite, muito suave, tem seu marketing direcionado para pais de bebês a partir dos 6 meses de idade, na fase de introdução alimentar.

O rótulo Revoa, por sua vez, promete reverter os lucros da venda a negócios de impacto social.

Idealizada para entretenimento dos foodies, a recém-lançada Oli é uma caixa com três azeites de diferentes perfis sensoriais, suave, intermediário e intenso, mais uma pipeta vazia.

“Todos os três são produzidos em Portugal e nenhum deles existe em nosso portfólio. A proposta é que o cliente monte o próprio blend e brinque de degustação com os amigos”, conta a diretora de marketing. No e-commerce, o kit custa R$ 75.

Para Vasco Campos, diretor da Sovena para América Latina, o Brasil continua a ser uma mina de ouro a ser explorada pela marca, que completa 100 anos em 2027. “O consumo per capita ainda não chega a meio litro por ano, enquanto atinge os sete litros em Portugal”, afirma ao NeoFeed. “Acredito que a recente redução dos preços vai nos ajudar a fomentar novamente o mercado brasileiro.”

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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