Letal e sem tratamento: Vírus Nipah se espalha pela Ásia

Um vírus pouco conhecido do grande público voltou a chamar atenção internacional após a confirmação de dois casos na Índia: o Nipah. Embora não seja uma descoberta recente — ele foi identificado pela primeira vez em 1998 —, o patógeno preocupa especialistas por combinar alta letalidade, que pode atingir até 75% dos infectados, ausência de vacinas ou tratamentos específicos e maior risco de disseminação em um mundo cada vez mais interconectado. O vírus Nipah (NiV) tem como principal reservatório morcegos frugívoros do gênero Pteropus, podendo ser transmitido a humanos por alimentos contaminados ou pelo contato direto entre pessoas. A infecção pode provocar desde quadros respiratórios até encefalites fatais.

Um estudo conduzido por pesquisadores do Japão e de Bangladesh, publicado na revista IJID Regions, aponta que, entre 1998 e maio de 2024, foram registrados 754 casos humanos em Bangladesh, Índia, Malásia, Filipinas e Singapura, resultando em 435 mortes — uma taxa média de letalidade de 58%. Esse índice, porém, varia conforme o país. Na Índia, por exemplo, 73% dos pacientes não sobreviveram. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a letalidade fique entre 40% e 75%, dependendo das condições locais de vigilância e atendimento médico.

“Os desfechos clínicos do vírus continuam a evidenciar uma ameaça constante à saúde pública global, uma vez que não há terapias ou vacinas eficazes disponíveis. É necessária uma compreensão global mais robusta, com foco no desenvolvimento de vacinas e tratamentos, para reduzir os desfechos clínicos e as ameaças futuras associadas ao Nipah”, afirmam os autores do estudo.

O surto atual foi registrado em Bengala Ocidental, estado indiano que já enfrentou episódios anteriores da doença. Os dois casos confirmados envolvem um homem e uma mulher, ambos enfermeiros do mesmo hospital, que começaram a apresentar sintomas no fim de dezembro, com rápida evolução para complicações neurológicas. Na atualização mais recente, o homem apresentava melhora, enquanto a mulher permanecia em estado crítico. No dia 27, o Ministério da Saúde da Índia informou que houve uma “contenção oportuna” do surto, após medidas como o rastreamento de 196 contatos próximos, sem registro de novos casos.

A OMS avaliou que, neste momento, “a probabilidade de disseminação para outros estados indianos ou internacionalmente é considerada baixa” e não recomendou restrições a viagens ou ao comércio. Segundo Leonardo Weissmann, infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, “os casos estão localizados, e as autoridades de saúde indianas atuaram rapidamente com isolamento dos pacientes e rastreamento de contatos”. Ele ressalta, porém, que o Nipah preocupa pela combinação de alta letalidade, ausência de tratamentos e potencial de transmissão entre humanos.

Em Bengala Ocidental, o risco atual foi classificado como “moderado” pela OMS devido à presença de morcegos que atuam como reservatórios naturais do vírus. Este é o sétimo surto documentado na Índia desde 2001 e o terceiro no estado.

Mesmo com baixo risco imediato, especialistas alertam para a necessidade de vigilância constante. A professora Ludhmila Hajjar, da Faculdade de Medicina da USP, destacou que o Nipah pertence à família Paramyxoviridae e possui genoma de RNA, característica associada a maior capacidade de mutação. Para ela, a transmissão entre pessoas observada em surtos recentes é um sinal de alerta semelhante ao visto em crises como Sars, MERS, Ebola e Covid-19.

O vírus Nipah integra atualmente a lista de nove patógenos prioritários da OMS para pesquisa e desenvolvimento. Em 2024, a organização publicou orientações técnicas para que países, mesmo sem casos registrados, reforcem a vigilância epidemiológica e elaborem planos de resposta a zoonoses de alto risco.

Leia Também: Operação da polícia do Ceará cumpre mandados contra o PCC em São Paulo

Fonte: Notícias ao minuto

Obrigado por acompanhar nossas publicações. Nosso compromisso é trazer informação com seriedade, clareza e responsabilidade, mantendo você sempre bem informado sobre os principais acontecimentos que impactam nossa cidade, região e o Brasil. Continue nos acompanhando e participe deixando sua opinião — sua voz é essencial para construirmos juntos um jornalismo mais próximo do leitor.

Ismael Martins de Souza Costa Xavier

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat. Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur.

The most complete solution for web publishing

Fique sempre com a gente! Nosso jornal traz informação em tempo real, com credibilidade e proximidade. Acompanhe, compartilhe e faça parte dessa história.

Agradecemos a você, leitor, por nos acompanhar e confiar em nosso trabalho. É a sua presença que nos motiva a seguir levando informação com seriedade, clareza e compromisso. Seguiremos juntos, sempre em busca da verdade e da notícia que faz diferença no seu dia a dia.

Jornalista:

Compartilhe esta postagem:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *