Indústria brasileira desacelera e CNI prevê ‘âncora pesada’ até 2027

A indústria brasileira está desacelerando, e analistas e economistas vêem nos dados um reflexo da política de juros altos para conter a inflação, queda da demanda, e maior competição por produtos importados. Com a perspectiva de juros ainda restritivos em 2026, o setor avalia que a recuperação virá a passos lentos, provavelmente após 2027, segundo a Confederação Nacional das Indústrias (CNI).

Os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada hoje (3) pelo IBGE, apontam que, de novembro para dezembro, a produção industrial recuou 1,2%. No acumulado de 2025, houve avanço de 0,6% – bem abaixo do acumulado de 2024, que foi de 3,1%.

Produção Industrial
Grandes Categorias Variação (%)
Dezembro 2025 / Novembro 2025* Dezembro 2025 / Dezembro 2024 Acumulado do ano
Bens de Capital -8,3 -7,5 -1,5
Bens Intermediários -1,1 -0,9 1,5
Bens de Consumo -1,8 3,8 -1,1
Duráveis -4,4 -3,5 2,5
Semiduráveis e não Duráveis -0,7 5 -1,7
Indústria Geral -1,2 0,4 0,6
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Estatísticas Conjunturais em Empresas
*Série com ajuste sazonal

Para André Macedo, gerente da pesquisa, a indústria apresentou uma “clara perda de ritmo” ao longo de 2025. Ele destaca que o setor industrial passou de uma expansão de 1,2% nos seis primeiros meses para uma variação nula no segundo semestre. “Esse menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, especialmente marcada pelo aumento na taxa de juros, o que impacta diretamente das decisões de investimento por parte das empresas e de consumo por parte das famílias”, afirma.

Aproveite a oportunidade!

Matheus Pizzani, economista do PicPay, também destaca que o nível de demanda “ainda insuficiente” tem afetado a produção industrial “e a expectativa futura dos produtores”. 

Para Leonardo Costa, economista do ASA, o dado de dezembro reforça um quadro de desaceleração mais clara da indústria, especialmente nos segmentos mais cíclicos e sensíveis ao crédito, como bens de capital e duráveis. 

“Apesar de alguma resiliência pontual em setores ligados a commodities e energia, o fechamento do ano sugere perda de tração da atividade industrial, consistente com um ambiente financeiro mais restritivo e demanda mais moderada”, afirma.

Continua depois da publicidade

‘Âncora pesada’

O cenário à frente será de uma lenta recuperação, na avaliação de Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

Ele afirma que os juros altos afetam a demanda por bens industriais, a situação financeira da própria indústria, as decisões de investimento e a competitividade. “A demanda por bens industriais, que crescia fortemente no ano anterior, apresentou um resultado bem mais modesto, levando a uma redução no ritmo de produção, investimento e contratações”, diz.

Azevedo destaca que o cenário industrial brasileiro também foi impactado pela alta de importação, reflexo da política tarifária de Donald Trump. Isso aconteceu porque, como o mercado americano se fechou, os exportadores passaram a procurar outros países consumidores, e encontraram parte do que precisavam no Brasil.

Na avaliação dele, a recuperação do setor não virá ao longo de 2026, mesmo com a perspectiva de início do ciclo de corte de juros. Ele avalia que os cortes vão manter os juros ainda bastante restritivos – a projeção do mercado é de que a Selic, atualmente em 15%, chegue a 12,50% ao fim deste ano. Para Azevedo, essa redução “tímida” fará com que se leve tempo até que seus efeitos sejam sentidos na economia.

“Nem em 2027 a indústria se recupera. Vai levar mais tempo. A indústria ainda estará arrastando uma ‘âncora pesada’”, avalia Azevedo.

Projeções

Para Pizzani, do PicPay, a expectativa é de que a indústria avance 1,8% em 2026. Ele atribui o percentual à projeção do cenário de crescimento que irá, gradualmente, se superando ao longo do ano, com a queda da inflação e da taxa de juros. 

Continua depois da publicidade

Isso irá favorecer ainda o consumo de bens não duráveis mais sensíveis ao nível de preço e renda disponível das famílias, avalia o economista. 

Fonte: Info Money

Obrigado por acompanhar nossas publicações. Nosso compromisso é trazer informação com seriedade, clareza e responsabilidade, mantendo você sempre bem informado sobre os principais acontecimentos que impactam nossa cidade, região e o Brasil. Continue nos acompanhando e participe deixando sua opinião — sua voz é essencial para construirmos juntos um jornalismo mais próximo do leitor.

Ismael Martins de Souza Costa Xavier

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat. Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur.

The most complete solution for web publishing

Fique sempre com a gente! Nosso jornal traz informação em tempo real, com credibilidade e proximidade. Acompanhe, compartilhe e faça parte dessa história.

Agradecemos a você, leitor, por nos acompanhar e confiar em nosso trabalho. É a sua presença que nos motiva a seguir levando informação com seriedade, clareza e compromisso. Seguiremos juntos, sempre em busca da verdade e da notícia que faz diferença no seu dia a dia.

Jornalista:

Compartilhe esta postagem:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *