entre criação com identidade e gestão


 

A trajetória do Chef Yuri Machado revela uma compreensão da cozinha que vai além da técnica. Ao longo dos anos de formação e atuação, o seu caminho foi marcado por aprendizado, disciplina e pela disposição de observar processos, pessoas e contextos antes de consolidar uma identidade própria.

 

Nesta conversa, o Chef Yuri Machado, revisita esse percurso para refletir sobre amadurecimento profissional, os desafios de conciliar criação e gestão e sobre a responsabilidade de sustentar um negócio bem sucedido a longo prazo. Sua fala abrange temas centrais do food service, como autoria, leitura de mercado, gestão de pessoas e sustentabilidade, entendida não apenas como lucro, mas como permanência e saúde da operação.

 

Aqui, o Chef Yuri Machado compartilha aprendizados que conectam técnica, memória e território, ao mesmo tempo em que reflete sobre a romantização do ofício e a necessidade de decisões mais conscientes.

 

ALÉM DO PROFISSIONAL

 

Longe das cozinhas, o Chef Yuri Machado se define como um cara observador, que gosta do silêncio, de caminhar, de ouvir música e de conversar sem pressa. “Tenho um olhar atento para as pessoas e para o tempo, talvez até mais do que para a comida. Enxergo a vida como algo em constante construção: imperfeita, intensa e cheia de ciclos. A cozinha me ensinou que tudo é processo, inclusive a gente.”

 

O Chef Yuri Machado – Foto: Arquivo pessoal

 

Ele, que é filho de mãe sergipana e pai maranhense, nasceu em Aracaju e cresceu entre referências familiares muito fortes, o que moldou a sua relação com a comida e com a identidade.

 

Atualmente, Machado vive no Recife, em Pernambuco. Segundo o Chef Yuri Machado, essa é a cidade que ele escolheu para ficar. “Viajei bastante durante o meu período de formação como Cozinheiro, trabalhei fora, conheci outras culturas e cozinhas, mas, em algum momento, entendi que precisava voltar e permanecer no meu lugar. Assim, o Recife deixou de ser passagem e virou escolha”, conta.

 

RELAÇÃO COM A GASTRONOMIA

 

Foi por acaso que a gastronomia entrou na vida de Machado. O contato inicial surgiu a partir da sua curiosidade de entender mais sobre o mundo. “Meu primeiro desejo não era cozinhar, era sair da minha cidade, conhecer o Recife, estudar e, a partir disso, trabalhar e viajar. A cozinha apareceu como um caminho para isso”, relembra.

 

Entre criação e gestão: o caminho de Yuri Machado na construção de uma cozinha com identidade
O Chef Yuri Machado – Foto: @ignusph

 

De natureza curiosa, o Chef Yuri Machado explica que sempre teve interesse por línguas. Dessa forma, estudou inglês, francês e espanhol, já considerando que esse conhecimento seria útil no futuro. “Em mim já existia essa vontade de atravessar fronteiras, de me superar e de entender como as coisas funcionam. A cozinha acabou me dando um norte, pois ela alimentava essa curiosidade e me apresentava algo que eu gosto: o trabalho duro.”

 

Apesar de tudo o que o ofício de cozinheiro hoje representa para Machado, o momento em que ele realmente abraçou a profissão não foi romântico. Foi prático. “Eu não nutria uma paixão antiga pela cozinha, nem um sonho de infância. A paixão só veio depois. No início, o que existia era curiosidade, disciplina e uma busca constante por aprendizado. Sempre me interessei pelos porquês… Por que aquele povo cozinha assim? De onde vieram esses costumes? Como o tempo moldou aquela cultura? A cozinha me permitia fazer essas perguntas o tempo inteiro”, observa.

 

Entre criação e gestão: o caminho de Yuri Machado na construção de uma cozinha com identidade
O Chef Yuri Machado – Foto: @ignusph

 

O Chef Yuri Machado revela ainda que o tempo lhe fez enxergar que, para trabalhar com gastronomia, não bastava apenas gostar de cozinhar. A tarefa passa também por assumir o ofício com responsabilidade e entrega. “Meu prazer estava em descobrir algo novo, dominar uma técnica, conversar com as pessoas dentro daquelas cozinhas pequenas, quentes, onde a gente se supera dia após dia.”

 

De acordo com o Chef Yuri Machado, no início, a sua carreira foi guiada pela técnica e pela admiração por pessoas que sabiam mais do que ele. “Eu queria estar perto de quem cozinhava melhor. Hoje, esse olhar mudou. A técnica continua sendo a base, mas o que me move é a história. Tenho buscado cada vez mais os saberes empíricos, as cozinhas do cotidiano… No fim, tudo sempre partiu da curiosidade. Ela foi o motor que me trouxe até aqui”, diz.

 

JORNADA PROFISSIONAL

 

Uma trajetória construída em movimento. É assim que Machado define o seu caminho profissional. O que faz muito sentido, uma vez que ele, com sede de conhecimento, passou por diferentes cozinhas no Brasil e fora dele.

 

Entre criação e gestão: o caminho de Yuri Machado na construção de uma cozinha com identidade
O Chef Yuri Machado – Foto: @ignusph

 

Foram esses ambientes diversos que moldaram o Chef Yuri Machado e a sua versatilidade. Isso porque, ao longo dos anos, Machado trabalhou em cozinhas extremamente técnicas, quando aprendeu sobre rigor, método e repetição, mas em outras experimentou ambientes mais intuitivos, onde o olhar e a sensibilidade tinham tanto peso, quanto a técnica. “Conheci cozinhas duras, marcadas por hierarquia e pressão, e outras mais generosas, onde o aprendizado vinha pelo exemplo e pela troca”, detalha.

 

Cada etapa desse caminho deixou uma marca no Chef, seja com ensinamentos sobre disciplina e sobre respeito pelo processo, seja com lições sobre a importância da escuta, da humildade e da paciência. E isso passa por restaurantes nacionais de alta gastronomia, como o D.O.M., mas também por experiências culinárias e culturais pelo mundo, como durante a sua passagem por Lima, no Peru, e por Nova York, nos Estados Unidos.

 

Hoje, tudo se mistura. “Carrego essas camadas no meu trabalho sabendo que nenhuma experiência foi desperdício. Elas me deram ferramentas, repertório e, principalmente, consciência para construir um trabalho que faça sentido para mim e para o lugar onde estou.”

 

 

PONTO DE VIRADA

 

Quando questionado sobre o ponto de virada em sua trajetória profissional, o Chef Yuri Machado não hesita em citar a abertura do Cá-Já, um restaurante de gastronomia contemporânea localizado no Recife, com foco em ingredientes locais e apresentações autorais. Se tem algo que não falta ao Cá-Já, é identidade. Inaugurado em 2017, o restaurante é liderado por Machado e seu sócio Vitor Braga.

 

O Chef Yuri Machado relata que a casa não nasceu de um momento isolado. Ela é resultado de um acúmulo de experiências. “Durante boa parte da minha trajetória, pessoas próximas achavam que eu estava pronto. E eu nunca achei. Nunca. Sempre sentia que faltava mais repertório, mais estrada, mais entendimento”, conta.

 

Entre criação e gestão: o caminho de Yuri Machado na construção de uma cozinha com identidade
O Chef Yuri Machado -Foto: Arquivo pessoal

 

Ele revela que foi construindo esse repertório em silêncio, sem holofotes, com anos de trabalho para outras pessoas. “Eu fui guardando tudo. Técnica, vivência, erro, observação. Nunca com a sensação de chegada. Sempre com a sensação de busca.”

 

Para o Chef Yuri Machado, o tempo em Nova York foi decisivo nesse processo. Não pelo glamour, segundo ele, mas pela autoconfiança. “Foi ali que entendi que eu tinha ferramentas suficientes para voltar e construir algo do meu jeito. Existe aquela frase meio clichê, mas muito verdadeira: if you can make it there, you can make it anywhere. Voltei para o Recife com essa gana de colocar tudo o que eu tinha vivido para fora.”

 

Assim, depois de mais de 12 anos trabalhando em outras cozinhas, Machado deu vida ao Cá-Já. “Foi quando consegui expressar esse repertório inteiro. Foi um projeto muito verdadeiro para a cidade e para mim. Um gesto de maturidade, não de impulso. Estar pronto naquele momento foi um presente.”

 

Entre criação e gestão: o caminho de Yuri Machado na construção de uma cozinha com identidade
Criação do Chef Yuri Machado -Foto: Arquivo pessoal

 

O Cá-Já continua sendo uma grande realização, hoje, consolidado como uma das casas de mais destaque da cena gastronômica de Pernambuco. O estabelecimento, inclusive, coleciona prêmios. Entre eles, o de 3º lugar de Melhor Chef da Cidade, o de 2º Melhor Restaurante de Cozinha Brasileira/Regional, de acordo com o ranking da Revista Veja Recife, e o de 35º Melhor Restaurante do País pela Revista Exame/2022.

 

O restaurante também já foi indicado pelo New York Times e reconhecido pelo Traveler’s Choice como integrante do seleto grupo dos 10% melhores restaurantes do mundo. “Fico muito feliz pelo impacto que isso teve no Recife, uma cidade que sempre me acolheu. Muitas das pessoas que eu admirava quando era aprendiz, seguem hoje como amigos e colegas. Continuo sendo um eterno aprendiz, mas com a alegria de olhar para trás e reconhecer o que foi construído e o que ainda segue em construção”, ressalta.

 

DESAFIOS PROFISSIONAIS

 

Mesmo orgulhoso de sua trajetória, o Chef Yuri Machado ainda encontra desafios na vida profissional. Atualmente, no papel de Chef e empresário, ele destaca que nem sempre é fácil equilibrar criatividade, gestão e sustentabilidade do negócio.

 

Para o Chef Yuri Machado, o maior desafio foi entender e, principalmente, aceitar que precisava se tornar um gestor. “Tratei a cozinha apenas como um espaço de criação durante muito tempo, quando, na prática, ela sempre foi uma operação complexa, feita de pessoas, responsabilidades e decisões difíceis”, diz.

 

Entre criação e gestão: o caminho de Yuri Machado na construção de uma cozinha com identidade
O Chef Yuri Machado – Foto: Arquivo pessoal

 

Machado explica que aprender a gerir foi um processo duro, pois envolve entender sobre fluxo de caixa, custos, rotina e desgaste humano, sem falar na tomada de decisões que impactam outras pessoas. “Isso exige um tipo de maturidade muito diferente daquela que a técnica traz. Isso também tem muito a ver com a minha formação. Foram mais de 12 anos sendo soldado de cozinha, executando, obedecendo hierarquias. Quando o negócio cai no seu colo, você acha que talento e técnica dão conta e não dão.”

 

Lidar com a frustração foi outro grande desafio. Ao longo dos anos, o Chef precisou aprender que nem toda ideia é viável. “Nem todo prato pode entrar no cardápio. Nem toda ideia cabe no momento do negócio. Sustentabilidade, para mim, passou a significar longevidade, não apenas lucro. Criar menos, executar melhor, cuidar das pessoas e respeitar o tempo.”

 

Hoje em dia, para Machado, o equilíbrio vem de entender que a gestão não é inimiga da criação. Pelo contrário, segundo ele, quando bem-feita, a gestão protege a cozinha e permite que o negócio continue existindo.

 

COZINHA QUE VEM DE DENTRO

 

O Chef Yuri Machado define o seu trabalho na gastronomia como uma cozinha de território e de verdade. Nela, a técnica segue como algo fundamental, pois sustenta tudo, mas deixou de ser o centro. Para ele, técnica é base, não é fim.

 

O Chef esclarece que, com o tempo, a memória passou a ocupar um lugar muito importante na sua cozinha. “Ela entrou como entendimento de quem eu sou e de onde venho. Minha mãe sempre cozinhou lá em casa. Hoje, com 37 anos, eu entendo que ela é a maior Cozinheira da minha vida. Quando vou à casa dela e ela faz aquele almoço exatamente do jeito que fazia para o Yuri criança, eu fico encantado. É o mesmo gesto, o mesmo cuidado, a mesma comida.”

 

Entre criação e gestão: o caminho de Yuri Machado na construção de uma cozinha com identidade
O Chef Yuri Machado – Foto: @ignusph

 

E, assim, memória virou referência. “A galinhada, o lombo de panela e outros pratos que fazemos no Cá-Já vem desse lugar. Não é sobre reproduzir receitas, é sobre transmitir uma verdade”, afirma.

 

Já o território é o pilar mais forte da culinária de Machado, aparecendo não como tema, mas como linguagem. Ingredientes, modos de preparo, tempos e escolhas… Tudo vem do lugar no qual ele está inserido. “Recentemente, fui convidado para cozinhar na Colômbia, em Bucaramanga. Estudando o território, percebi a força dos caprinos na região e decidi fazer uma buchada nordestina ali”, pontua.

 

O Chef Yuri Machado explica também que foi um processo muito simbólico, principalmente porque não existe livro que ensine como fazer uma buchada de verdade. “Fui atrás de sabores construídos na prática, de vídeos longos, de uma senhora cozinhando durante dois dias, buscando o ponto e o tempo certos… Usei ingredientes colombianos, levei alguns daqui e construí um prato que falava do Nordeste sem ser folclórico. Era território dialogando com território.”

 

Ainda conforme Machado, a inovação acontece como consequência quando a técnica, a memória e o território estão bem alinhados. “Não existe inovação pela inovação. Hoje, a minha cozinha é menos sobre surpreender e mais sobre criar vínculo”, define.

 

LIGAÇÃO COM O RECIFE

 

Machado se considera um Chef pernambucano em formação, isso porque foi no Recife que o ofício de cozinheiro começou a ganhar forma na sua vida. “Aqui, passei a olhar para a cozinha como uma profissão possível e como uma maneira de conhecer culturas. O Recife foi o lugar onde eu entendi a gastronomia como linguagem.”

 

Mas, ao mesmo tempo, ele carrega toda a bagagem adquirida nos lugares de onde veio e pelos quais passou. “Eu acredito que cada pessoa carrega o seu próprio olhar, moldado pelas vivências, pelos lugares de onde veio. Seja Cozinheiro ou não, todo mundo que se expressa, acaba falando um pouco de si, da sua história e do seu território”, diz.

 

Nos atuais dias, ele revela, esse olhar está completamente ligado à geografia que o Recife lhe oferece, o que passa pelos mercados e pelos ingredientes que chegam do litoral, da Zona da Mata, do Agreste e do Sertão do Estado. “São essas camadas que me atravessam diariamente. Pernambuco me dá as notas musicais com as quais eu trabalho e me expresso na cozinha”, afirma.

 

Mesmo assim, a terra natal do Chef Yuri Machado ainda se faz presente. “Muitas vezes, trago ingredientes de Sergipe. Gostaria de encontrá-los com mais facilidade, mas a geografia e a demanda nem sempre permitem.”

 

A COZINHA AUTORAL E O MERCADO

 

Como um grande entusiasta da cozinha autoral, o Chef Yuri Machado acrescenta à reportagem que, ao analisar o mercado, entende que esse é um segmento viável, desde que feito de forma honesta. “O problema nunca foi a autoria em si, mas a falta de leitura de contexto. Cozinha autoral não pode ser um exercício de vaidade, nem um discurso fechado em si mesmo. Ela precisa dialogar com quem se senta à mesa”, explica.

 

Entre criação e gestão: o caminho de Yuri Machado na construção de uma cozinha com identidade
O Chef Yuri Machado – Foto: @ignusph

 

Para ele, nesse mercado, em algum momento, é preciso haver desprendimento do ego. Segundo o Chef Yuri Machado, não adianta ter um prato cheio de intenção, se ele não se sustenta financeiramente, ou se não faz sentido para o público. “Quando você começa a remar contra a maré, insistindo em algo que não se sustenta, a conta chega. Autoria também é responsabilidade.”

 

Machado afirma que encontrar esse equilíbrio passa por entender o preço, o serviço e a experiência como parte da criação. Para ele, não existe separação entre o que está no prato e o que acontece ao redor dele. “Identidade não está em fazer algo complexo ou inacessível, mas em ser coerente. Quando o cliente entende o que está sendo proposto, o valor deixa de ser apenas monetário e a cozinha autoral encontra espaço para existir de forma sustentável e verdadeira.”

 

DIA A DIA PROFISSIONAL

 

Sobre o seu dia a ida, o Chef Yuri Machado partilha que, durante muito tempo, seu dia a dia foi esse lugar de gestão intensa. Um trabalho fragmentado, dividido entre decisões, processos, equipe, planejamento e comunicação. “Cozinhei menos do que gostaria, mas pensei cozinha o tempo inteiro. Esse período me moveu e me amadureceu. Aprender a gerir, a conduzir pessoas e a sustentar um negócio foi um aprendizado duro e necessário”, aponta.

 

Porém, com o tempo, o Chef Yuri Machado começou a se perguntar onde, de fato, ele é feliz dentro desse ofício. E a resposta sempre foi clara: “eu sou mais feliz quando estou cozinhando. No calor, na pressão, no ritmo da cozinha. No fim de 2025, em alguns momentos, estive apenas repondo peças e cozinhando por cozinhar, e, ali, me reconheci novamente.”

 

É esse sentimento que, este ano, Machado tem vontade de resgatar. Ele deseja estar mais presente no preparo, cozinhar para convidados e transmitir conhecimento para os que estão ao seu lado. “Existe uma parte do cozinhar que é impossível de explicar completamente. Muitas receitas terminam com indicações como ‘sal a gosto’ ou ‘quanto baste’. Mas, o ponto não está na quantidade de sal. O sabor, na verdade, é tempo. É a evaporação, a redução, a espera. É o tempo que tira a água e revela a essência do ingrediente. O sal até chega no ponto que você quer, mas, muitas vezes, mascara aquilo que só o tempo entrega”, analisa.

 

Em contrapartida, Machado entende que não dá para se afastar completamente da gestão. Ele explica que existe uma parte invisível do negócio que precisa ser cuidada. Conforme o Chef, esse é o grande paradoxo de quem cozinha e gere ao mesmo tempo. “Muitas vezes, as pessoas não veem o Chef cozinhando e acham que ele deixou de ser cozinheiro. No fim, o dia a dia não é sobre brilho, é sobre constância. Repetir, repetir, errar, aprender e repetir de novo. É isso que sustenta uma cozinha, uma equipe e um ofício ao longo do tempo”, assinala.

 

PLANOS E PROJETOS PARA 2026

 

Este ano, Machado tem como principal plano reorganizar o que já existe. O Chef Yuri Machado espera consolidar o Cá-Já como um lugar mais sustentável, sendo, ainda assim, fiel ao que ele acredita como cozinha e negócio. Como já dito, estar mais próximo ao fogão também é uma meta para o novo ano.

 

O Chef ainda revela que um dos projetos centrais é rever as bases que foram criadas lá atrás. “No fim do ano passado, implementei uma cozinha de produção e percebi o quanto ela é importante para a operação. Agora, o desafio é olhar com cuidado para cada receita que está sendo feita e replicada ali, ajustá-las à forma como eu enxergo a cozinha hoje e transmitir esse conhecimento mais subjetivo sobre concentração de sabor, tempero e profundidade”, detalha. Para ele, transformar isso em constância é um dos grandes objetivos.

 

Segundo Machado, este ano não é sobre abrir mais frentes e sim sobre amadurecer escolhas, criar condições para continuar cozinhando com prazer e sentido. “Espero que, agora em 2026, a gente consiga transformar essa rotina mais consciente em um negócio viável, saudável, lucrativo, que se mantenha de pé e que continue transmitindo essa verdade por muitos anos. Um projeto longevo”, aponta.

 

DICA DO CHEF

 

Aos que estão começando e desejam fazer carreira na gastronomia, o Chef Yuri Machado deixa um recado: “primeiro, não romantize. A gastronomia é bonita, mas é dura. Exige repetição, constância, esforço físico, emocional e mental. Não é sobre brilho rápido, é sobre permanecer.”

 

Ele explica que respeitar o processo é fundamental. Errar faz parte, assim como repetir e aprender, mesmo que devagar. “Cozinhar bem leva tempo, e não existe atalho que substitua convivência, observação e prática diária”, diz o Chef.

 

Machado ainda ressalta que, atualmente, existe um desafio adicional para os que desejam seguir na profissão: as redes sociais. Ele avalia que essas plataformas trouxeram acesso, informação e visibilidade, mas também criaram ansiedade e imediatismo. “Cozinha não funciona assim. Para se tornar um bom Cozinheiro, são necessárias muitas horas de cozinha, muitas horas de dedicação silenciosa.”

 

E tem mais. O Chef Yuri Machado avisa aos futuros profissionais que conciliar essa entrega com saúde física e mental não é algo simples. Por isso, a paciência é fundamental. “Aceite o tempo do processo. Não existe formação sólida sem permanência. Cuide da sua saúde. Esse ofício cobra muito do corpo e da cabeça. Dormir mal, comer mal e viver no limite não é sinal de dedicação, é sinal de risco. Não existe cozinha boa, se quem cozinha está adoecido”, alerta.

 

Por último, mas, para ele, talvez o mais importante: “entenda porque você quer cozinhar. Se for apenas status ou reconhecimento, a frustração chega rápido. Se for desejo de servir, de aprender e de construir algo verdadeiro, a cozinha pode ser um caminho longo, difícil e profundamente gratificante”, conclui Machado.

 


Anna Katia Cavalcanti1



Source link

Obrigado por acompanhar nossas publicações. Nosso compromisso é trazer informação com seriedade, clareza e responsabilidade, mantendo você sempre bem informado sobre os principais acontecimentos que impactam nossa cidade, região e o Brasil. Continue nos acompanhando e participe deixando sua opinião — sua voz é essencial para construirmos juntos um jornalismo mais próximo do leitor.

Ismael Martins de Souza Costa Xavier

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat. Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur.

The most complete solution for web publishing

Fique sempre com a gente! Nosso jornal traz informação em tempo real, com credibilidade e proximidade. Acompanhe, compartilhe e faça parte dessa história.

Agradecemos a você, leitor, por nos acompanhar e confiar em nosso trabalho. É a sua presença que nos motiva a seguir levando informação com seriedade, clareza e compromisso. Seguiremos juntos, sempre em busca da verdade e da notícia que faz diferença no seu dia a dia.

Jornalista:

Compartilhe esta postagem:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *