Benfica enfrenta danos de imagem por comportamento no caso Vinicius Junior

JOÃO GABRIEL DE LIMA
LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) – “Racista! Fora, Mourinho!” Os poucos torcedores espanhóis que foram ao Paseo de La Castellana, onde fica o hotel que hospeda o Benfica em Madri, receberam os jogadores do clube português com algazarra na terça-feira (24).

Os gritos de “racista” se dirigiam ao argentino Gianluca Prestianni, que viajou com a delegação, embora não possa entrar em campo no jogo entre Real Madrid e Benfica, pelo mata-mata da Champions League, marcado para esta quarta (25).

Acusado pelo brasileiro Vinicius Junior de ter proferido ofensas racistas durante o jogo de ida, em Lisboa, Prestianni foi suspenso pela Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) por “violação prima facie”. O termo jurídico sugere que a entidade que rege o futebol europeu considera que, à primeira vista, pode ter havido racismo, embora não tenha sido concluída a investigação sobre o fato. Terminadas as diligências, a pena -válida provisoriamente por um único jogo- pode aumentar.

Prestianni nega a ofensa, e o Benfica comprou sua versão. Levar o jogador a Madri foi uma forma de o clube mostrar apoio ao atleta -que no final da tarde de terça participou do treino de reconhecimento do gramado normalmente, junto com os companheiros.

O técnico do Benfica, José Mourinho, que no passado dirigiu o Real Madrid, ainda recebeu alguns pedidos de autógrafos de fãs espanhóis, mas se recusou a falar com jornalistas. O treinador está suspenso e não poderá dirigir o time do banco de reservas por ter sido expulso no jogo de ida, em uma situação sem relação com o suposto caso de racismo. Mourinho também decidiu não ir à entrevista coletiva. Enviou em seu lugar o auxiliar técnico João Tralhão.

Mourinho vem sendo criticado Europa afora por ter dito, em entrevista depois da partida em Lisboa, que Vinicius Junior não deveria ter celebrado o gol da vitória do Real Madrid fazendo uma dancinha em frente à bandeira de escanteio. A declaração foi interpretada como uma justificativa para o suposto ato racista de Prestianni.

Na segunda (23), foi a vez de o nigeriano Obi Mikel, que foi treinado por Mourinho no Chelsea, criticar o velho comandante. “Você quer dizer que deve haver um manual de como um jogador negro deve comemorar?”, disse o ex-jogador, em entrevista a um podcast esportivo.

“Foi um comentário totalmente desajeitado. Meu ex-chefe não deveria ter dito isso. Ele é um homem inteligente e sabe que, quando diz algo assim, não está representando a si próprio, mas também o seu país, Portugal, e o seu clube, o Benfica”, continuou Mikel, ecoando as críticas de vários outros ex-jogadores, entre eles o brasileiro Luisão, um dos maiores ídolos da história recente do time português.

A ideia de que o apoio incondicional a Prestianni pode trazer danos de imagem a um clube com torcida globalizada vem sendo defendida por especialistas em comunicação esportiva. “Várias pessoas negras no mundo inteiro amam o Benfica, e o clube parece dizer a elas que não compreende o que elas vivem e não quer compreender”, disse o português Luís Vaz Fernandes, que mora em Londres, de onde faz consultoria de comunicação para organizações britânicas e lusitanas.

“O Benfica ficou ao lado de um potencial agressor. Isso passa uma mensagem ruim para os torcedores e para os próprios jogadores negros do Benfica”, afirmou Fernandes. Uma pesquisa recente sobre hábitos políticos e culturais em países lusófonos, feita pelo instituto brasileiro Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas), mostrou que os cidadãos das nações africanas que falam português preferem seguir os clubes lusitanos aos brasileiros -e o Benfica tem torcida numerosa nesses países.

Dois vídeos exibidos nos últimos dias pelas redes sociais do Benfica aumentaram a polêmica em torno do suposto ato racista ocorrido na semana passada. Um deles, inspirado na série televisiva “Lupin”, visava divulgar o novo uniforme reserva do Benfica, elaborado pelo artista Vhils, autor de vários grafites espalhados pelas ruas de Lisboa.

No vídeo, um jogador do Benfica, o belga Dodi Lukebakio, entra furtivamente nas instalações do clube para roubar um kit de camisetas e depois distribuí-las entre seus colegas de time. “Faltou sensibilidade ao Benfica ao colocar um homem negro no papel de ladrão. Isso é de um racismo arcaico. Divulgar o vídeo logo depois do ocorrido no Estádio da Luz também representou uma péssima noção de timing”, disse Fernandes.

Em outro vídeo exibido ao longo da semana, o Benfica mostrou em suas redes sociais um menino negro que se tornou conhecido em Portugal por ter salvado a vida da mãe, que sofreu um desmaio enquanto dirigia o carro. O garoto de nove anos telefonou para a emergência médica dando a localização exata do veículo, o que possibilitou o resgate.

“O Benfica proporcionou uma visita do menino ao Estádio da Luz e exibiu nas redes sociais na mesma semana do incidente de Vinicius Junior. O momento foi ruim, pois soou oportunista”, observou o consultor em comunicação.

“Por mais campanhas publicitárias contra o racismo que se façam, nada envia uma mensagem mais poderosa que punir exemplarmente um jogador”, concluiu Fernandes. Se a Uefa considerar que houve a ofensa racista, Prestianni poderá pegar pelo menos dez jogos de suspensão.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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