O que Lula deveria trazer da Coreia para a cultura brasileira

A China fez o movimento inverso. 1,4 bilhão de pessoas. Um mercado tão colossal que, se você ganhar esse público, já é a maior bilheteria do planeta, independente de alguém em Oslo saber que seu filme existe. Em 2025, “Ne Zha 2”, baseado em uma lenda tradicional chinesa, arrecadou mais de US$ 1,5 bilhão, se tornando uma das maiores bilheterias da história do cinema mundial. A maioria das pessoas que você conhece nunca ouviu falar nele. Nos últimos dez anos, filmes nacionais foram responsáveis por 80% do faturamento do cinema chinês.

Dois países, dois caminhos. E ambos funcionaram.

A Coreia é pequena demais para sobreviver só com o interno. A China é grande o suficiente para não precisar do externo. O Brasil vive um paradoxo fascinante: é grande o bastante para ter um mercado interno poderoso, e rico o suficiente para ser desejado lá fora.

Não foi magia. A China construiu mais de 80 mil salas de cinema pelo país, criou leis obrigando que dois terços do tempo de tela fosse dedicado a filmes nacionais, e fez isso durante décadas. Nada diferente do que Hollywood pratica há mais de cem anos, protegendo sua indústria com cotas, subsídios e distribuição global agressiva. A Coreia fez o mesmo com a cultura que havia feito com os automóveis e os chips: colocou o Estado ao lado dos grandes conglomerados nacionais, os chaebols, a mesma Samsung e Hyundai que o mundo conhece, e mandou essa parceria para fora. Em 1994, um relatório entregue ao presidente Kim Young-Sam mostrou que a bilheteria de “Jurassic Park” na Coreia havia gerado o equivalente à venda de 1,5 milhão de carros Hyundai. A partir dali, o país decidiu que cultura era indústria.

O Brasil já fez algo parecido em outros setores: a Petrobras, a Embraer, o agronegócio subsidiado que hoje alimenta o mundo. A pergunta que fica é: quando a gente vai ter a coragem de fazer o mesmo pelo audiovisual?

Nós temos 215 milhões de pessoas, diversidade cultural absurda, funk dominando o Spotify global, séries no Top 10 da Netflix. A brasilidade está vendendo. Mas a gente ainda não resolveu o mercado interno. A gente exporta a estética antes de consolidar a audiência, enquanto a sala de cinema do bairro fechou e o audiovisual brasileiro ainda briga por migalhas de tela.

Fonte: UOL

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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