Novo regulamento atrai montadoras, exige mais dos pilotos e abre nova era na F1

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A F1 inicia 2026 diante de uma ruptura técnica rara: aerodinâmica e motores mudam ao mesmo tempo, algo que não ocorria há 12 anos.

A combinação amplia a margem de incerteza e altera a forma de correr. “Agora é como jogar xadrez. Você não pensa na próxima jogada, pensa duas à frente”, disse à reportagem o engenheiro Pat Symonds, consultor executivo da Cadillac F1 Team e um dos nomes mais influentes da categoria desde os anos 1990.

A própria Cadillac simboliza essa nova fase. A equipe americana estreia como a 11ª do grid, com Sergio Pérez e Valtteri Bottas, atraída pelo regulamento que reformula as unidades de potência e amplia o peso da eletrificação -quase 50% da potência passa a ser elétrica. Para a marca de luxo da General Motors, o projeto também funciona como vitrine tecnológica para seus carros de rua.

O mesmo movimento explica a entrada do Grupo Volkswagen. Por meio da Audi F1 Team e com os pilotos Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg, a companhia assumiu o controle da Sauber, rebatizada para 2026, e passa a operar como equipe de fábrica em um campeonato que volta a seduzir grandes montadoras.

A temporada começa neste fim de semana, com o GP da Austrália, que abre oficialmente o novo ciclo técnico da categoria. A largada será na madrugada de sábado (7) para domingo (8), à 1h (de Brasília).

Além da eletrificação ampliada, a categoria abandona soluções pouco transferíveis à indústria, como o MGU-H, sistema que recuperava energia térmica, mas era caro e complexo para aplicação em carros de passeio. Permanece apenas o MGU-K, que recupera energia cinética.

“A gestão da bateria nunca foi muito difícil no passado, mas agora é”, afirma Symonds. “Extrair o máximo da unidade de potência é o maior desafio.”

Com isso, a F1 passa a operar em uma lógica energética mais próxima dos híbridos atuais, reforçada pelo uso obrigatório de combustíveis 100% sustentáveis.

Embora o equilíbrio entre fabricantes tenha marcado os últimos anos, mudanças dessa magnitude costumam abrir espaço para hegemonias. Em 2014, com a introdução dos híbridos, a Mercedes iniciou uma sequência de oito títulos consecutivos.

Largar na frente em um novo ciclo, portanto, é decisivo. A disputa começou ainda no desenvolvimento. Nos testes de pré-temporada, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) precisou intervir após divergências sobre a taxa de compressão dos motores. Rivais acusaram a Mercedes de explorar uma brecha para cumprir o limite com o motor frio, mas operar com taxa maior, e mais potência, quando quente.

Além da própria Mercedes, McLaren, Alpine e Williams usam seus motores. Ferrari (Haas, Cadillac e a própria Ferrari), Honda (Aston Martin), Audi e Red Bull Powertrains Ford (Red Bull e Racing Bull) completam o grupo de fornecedoras. A partir de 2029, a GM promete estrear seu próprio motor na Cadillac.

Como compromisso para 2026, a FIA determinou que a taxa de compressão será medida com o motor frio e também a 130°C a partir de 1º de junho. Em 2027, a verificação passará a ser feita apenas com o motor quente.

A busca por eficiência tornou-se eixo central das estratégias de corrida e explica a disputa por qualquer vantagem.

A divisão quase igual entre combustão e bateria também altera o comportamento dos pilotos. Para aproveitar a energia extra, a F1 substituiu o DRS pelo MOM (Manual Override Mode), o “modo ultrapassagem”, que libera potência adicional do motor elétrico quando o piloto decide atacar ou defender posição.

O DRS abria a asa traseira para reduzir arrasto e facilitar ultrapassagens. O MOM, ao contrário, exige gestão ativa da energia ao longo da volta, transferindo parte da decisão estratégica para o piloto.

A mudança está alinhada ao objetivo do regulamento. “A FIA fez bastante trabalho para permitir que os carros voltem a se seguir mais de perto, algo que tinha sido perdido entre 2022 e 2025”, disse Symonds.

Piloto de testes da Cadillac, Pietro Fittipaldi afirma que o novo pacote pode reforçar essa proposta. Segundo ele, os carros terão menos carga aerodinâmica e serão mais difíceis de controlar. “Isso pode criar situações mais interessantes para quem está assistindo”, afirmou. “Se os carros conseguirem andar mais próximos, a tendência é termos mais ultrapassagens e mais disputas diretas.”

Para usar o novo recurso, porém, será preciso recuperar energia ao longo da volta, muitas vezes tirando o pé do acelerador ou freando para acionar o MGU-K. “A estratégia de usar energia vai afetar muito a pilotagem, e um piloto mais eficiente pode ter vantagem”, diz Fittipaldi.

Por isso, a palavra “integração” domina o discurso técnico da pré-temporada, com a forma como motor e a aerodinâmica funcionarão como um conjunto. Equipes de fábrica tendem a levar vantagem, pois conhecem as dimensões exatas de seus motores e podem integrá-los de forma mais precisa ao chassi.

Assim, 2026 é tratado como um recomeço para a F1, um ciclo em que os motores voltam ao centro da disputa.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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