St George amplia recursos em 75% em Araxá e negocia com EUA e China

A mineradora australiana St George Mining anunciou um aumento de 75% na estimativa de recursos minerais do Projeto Araxá, em Minas Gerais, e afirmou estar aberta a negociações com diferentes players globais, dos Estados Unidos à China, para viabilizar o desenvolvimento do empreendimento.

O depósito, considerado promissor por combinar terras raras e nióbio no mesmo sistema mineral, passou a contar com 70,91 milhões de toneladas de recursos, com teor médio de 4,06% terras e 0,62% de niobio.

O teor de 4,06% de terras raras é considerado elevado para projetos de terras raras fora da China, país que hoje domina a produção e o processamento desses minerais estratégicos.

Para medir esse teor, a empresa considera apenas as áreas com concentração acima de 2% de teor médio de terras raras, desconsiderando zonas com teores inferiores. Além disso, ainda há novas perfurações previstas que não foram incluídas na estimativa atual, o que indica potencial para novas revisões e possíveis aumentos no volume de recursos do projeto.

O projeto, que ainda está em fase de desenvolvimento, vem sendo acompanhado de perto por empresas e governos estrangeiros em meio à corrida global por minerais críticos usados em tecnologias avançadas, como veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.

A empresa busca agora recursos para avançar nas próximas etapas do empreendimento, incluindo engenharia detalhada e construção de plantas de processamento. O projeto já conta com incentivos fiscais aprovados pelo governo de Minas Gerais, que reconheceu o potencial estratégico da iniciativa.

Em entrevista à CNN, o diretor de desenvolvimento da St George no Brasil, Thiago Amaral, afirmou que as conversas mais avançadas no momento envolvem empresas americanas, mas ressaltou que a companhia mantém diálogo com interessados de diferentes regiões.

“Temos conversas também no Brasil e na Europa, e recebemos propostas chinesas. Estamos abertos para negociações em todo o mundo. O mais avançado que temos no momento são essas discussões com empresas dos Estados Unidos”, disse.

A companhia negocia com a empresa americana REalloys um possível contrato de offtake, acordo de compra futura de produção, que poderia envolver até 40% das terras raras produzidas em Araxá.

A empresa americana poderia participar das etapas industriais posteriores, como a separação e produção de materiais utilizados na fabricação de ímãs permanentes.

Estratégia de processamento

A St George realiza atualmente uma nova rodada de testes metalúrgicos para definir a melhor rota de processamento dos minerais extraídos em Araxá.

A empresa avalia diferentes produtos possíveis ao longo da cadeia produtiva, que podem ir desde um concentrado misto de terras raras até etapas mais avançadas, como óxidos separados de neodímio e praseodímio, dois dos elementos mais valiosos do grupo, usados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho.

Esses ímãs são considerados insumos estratégicos para setores como veículos elétricos, energia renovável e indústria de defesa.

Agregação de valor no Brasil

A estratégia da companhia também busca ampliar as etapas industriais realizadas no país, em linha com a política defendida pelo governo federal de agregar valor aos minerais críticos em território nacional.

No caso das terras raras, ambas as opções de produto final avaliadas pela empresa já representam etapas relevantes de agregação de valor no Brasil, pois exigem processos químicos e metalúrgicos complexos que transformam o minério bruto em insumos industriais

A produção de carbonato misto já implica processamento químico do minério concentrado, etapa que reduz volume, aumenta o valor do produto e prepara o material para refino posterior.

Já a separação de óxidos individuais representa um estágio ainda mais avançado da cadeia produtiva.

Esses óxidos são a base para a fabricação de ímãs permanentes de alta performance, utilizados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.

Hoje, poucos países dominam essas etapas industriais fora da China, que concentra a maior parte da capacidade global de processamento e separação de terras raras.

O país asiático controla não apenas a mineração, mas principalmente o refino químico e a produção de materiais de alto valor agregado, etapas consideradas as mais estratégicas da cadeia.

Por isso, iniciativas que avancem nessas fases no Brasil são vistas como importantes tanto para a industrialização do setor mineral quanto para a diversificação das cadeias globais de suprimento de minerais críticos.

Além disso, em 2025, a empresa anunciou a criação de um centro tecnológico em parceria com o CEFET-MG (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais), em Araxá.

O projeto inclui a instalação de uma planta-piloto dedicada ao processamento de terras raras e nióbio, destinada a desenvolver rotas tecnológicas e formar mão de obra especializada.

“Nossa ideia é sempre trabalhar com produtos que agreguem valor. Tanto no nióbio, que já fazemos etapas metalúrgicas ou uma etapa de purificação até os óxidos. Nas terras raras estamos colaborando com iniciativas como o MagBras para desenvolver a cadeia de ímãs no Brasil”, afirmou Amaral.

Previsto para entrar em operação até 2028, o projeto está localizado ao lado das instalações da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), maior produtora mundial de nióbio, responsável por cerca de 80% da oferta global do metal.

Fonte: CNN Brasil

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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