As ações ordinárias da estatal (PETR3), que já vinham surfando o movimento de alta do preço do petróleo em meio às tensões crescentes no Oriente Médio, avançaram mais de 5% ao longo desta sexta-feira (6), para um patamar acima de R$ 46, a maior valorização da B3 no dia e o melhor preço do papel desde maio de 2008. No fechamento, a alta foi de 4,12%, a R$ 45,78. O papel preferencial (PETR4) subiu 3,49%, a R$ 42,11.
Parte dos ganhos tem relação direta com os dividendos. No balanço, a Petrobras anunciou o pagamento de R$ 8,1 bilhões em proventos, valor acima do que vinha sendo projetado pelo mercado. Isso equivale a R$ 0,62 por ação.
Em teleconferência, a CEO da companhia, Magda Chambriard, afirmou que a superação das metas de produção e o aumento da extração de petróleo contribuíram para uma maior geração de caixa, ampliando tanto a capacidade de investimento quanto a distribuição de dividendos.
A produção de petróleo e gás totalizou 3,1 milhões de barris de óleo equivalente por dia, alta de 2% na comparação trimestral. Para colocar esse número em perspectiva: um barril de petróleo tem cerca de 159 litros, o que significa que a produção diária equivale a quase 500 milhões de litros.
Um carro comum tem tanque de cerca de 50 litros – ou seja, daria para abastecer quase 10 milhões de tanques de carro por dia. E o preço do petróleo nas alturas (US$ 93 hoje) ajudou.
Um gestor afirmou que, se os preços do petróleo permanecerem nos níveis atuais por um período prolongado, a empresa pode se tornar uma máquina de gerar dinheiro.
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Dividendos extraordinários?
Sobre a possibilidade de pagamentos extraordinários, o CFO da Petrobras, Fernando Melgarejo, afirmou que a companhia “adoraria” realizá-los caso haja um nível elevado de caixa – desde que isso não comprometa o financiamento dos projetos previstos no plano de negócios.
O executivo ressaltou, no entanto, que a prática da empresa é avaliar distribuições adicionais durante a elaboração do planejamento estratégico. Por essa razão, ainda é cedo para pensar em garantir novos pagamentos trimestrais além dos já previstos.
No balanço, a Petrobras indicou US$ 20,3 bilhões em capex para 2025, número próximo do limite superior do planejamento divulgado anteriormente. O capex mede quanto a empresa investe em projetos e infraestrutura. Um valor elevado assim indica que a companhia está acelerando investimentos – o que pode pressionar a geração de caixa no curto prazo e reduzir o montante disponível para dividendos.
Por outro lado, esses investimentos também podem fortalecer a geração de caixa nos próximos anos, base que sustenta a distribuição de dividendos ao longo do tempo.
E o que esperar da ação?
No curto prazo, o desempenho das ações da Petrobras tende a continuar bastante ligado ao comportamento do preço do petróleo, que segue sensível ao cenário geopolítico no Oriente Médio e às condições da economia global.
Ao mesmo tempo, fatores internos também permanecem no radar dos investidores, como decisões de alocação de capital, nível de investimentos e eventuais discussões sobre a política de preços dos combustíveis no âmbito das eleições deste ano.
Nesse contexto, analistas da XP mantêm recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 47 por ação preferencial, destacando a forte geração de caixa da companhia e o potencial de distribuição de dividendos.
Analistas do BTG têm recomendação de compra para os ADRs da petroleira, com preço-alvo a US$ 15. O Bank of America reiterou recomendação neutra, com preço-alvo a R$ 44.
Ou seja, a expectativa é que o preço permaneça próximo
Resultado forte. Mas há dúvidas
A Petrobras reportou fluxo de caixa de US$ 10,2 bilhões, número 14% acima das estimativas do mercado. Esse indicador mede quanto dinheiro a empresa efetivamente gera com suas operações, depois de pagar custos e despesas. Em outras palavras, mostra a capacidade da companhia de transformar suas atividades – produção e venda de petróleo e derivados – em caixa.
Mesmo assim, nem todo analista enxerga a empresa como o melhor investimento do setor neste momento. Isso porque, apesar de se beneficiar da alta do petróleo e dos números fortes do balanço, a Petrobras segue bastante exposta ao cenário político.
As dúvidas recaem principalmente sobre decisões de alocação de capital e sobre a política de preços dos combustíveis, áreas que parte do mercado considera mais suscetíveis a interferências.
Daniel Teles, especialista da Valor Investimentos, disse que vê um risco adicional caso o conflito no Oriente Médio se prolongue e leve a uma disparada ainda maior da cotação do petróleo. Nesse cenário, poderia surgir pressão política sobre os preços dos combustíveis no Brasil.
“Se o preço do petróleo disparar e isso começar a pesar muito na bomba, o mercado pode passar a temer algum tipo de intervenção. Como a empresa é estatal, esse risco sempre existe.”
Segundo ele, uma eventual tentativa da estatal de segurar os preços ou subsidiar parte do combustível poderia ser negativa para as ações no curto e médio prazo.
Diante desse cenário, alguns gestores avaliam que a relação entre risco e retorno não favorece a companhia neste momento. Por essa razão, eles mantêm exposição reduzida às ações da empresa ou até posições vendidas – estratégia que ganha com a queda do papel.
Ainda assim, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) acumulam alta de 41% no ano, enquanto as ordinárias sobem perto de 45%.
Fonte: Invest News




