O mercado de planos de saúde no Brasil cresceu mais de 70% nos últimos 25 anos. O número de beneficiários de planos médico-hospitalares saltou de 30,9 milhões para 52,6 milhões – entre 2000 e 2025, de acordo com a pesquisa Análise Especial da Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB) – produzida pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).
A medicina de grupo destacou-se como a modalidade com maior expansão, passando de 11,8 milhões de beneficiários em 2000 para 21,1 milhões em 2025, consolidando-se como a principal categoria do setor. Sua participação de mercado também cresceu, de 38,1% para 40%.
Segundo o estudo, houve uma mudança na composição do setor. Medicina de grupo, cooperativas médicas e seguradoras apresentaram crescimento, enquanto a autogestão registrou uma redução na sua participação de mercado.
Para, Denizar Vianna, superintendente executivo do IESS, as mudanças na composição do mercado refletem transformações institucionais e empresariais ocorridas ao longo do tempo. “O mercado de planos de saúde no Brasil passou por uma evolução gradual em mais de duas décadas. O crescimento do número de beneficiários foi acompanhado por mudanças na participação das diferentes modalidades de operadoras, refletindo transformações na organização e na dinâmica do setor”, afirma.
Transformação de mercado
O número de beneficiários de planos de saúde médico-hospitalares no Brasil atingiu 53 milhões em janeiro de 2026, representando um crescimento de 2% em relação a janeiro de 2025, com 1 milhão de novos vínculos no período de 12 meses.
As cooperativas médicas também apresentaram expansão significativa, passando de 7,8 milhões para 18,8 milhões de beneficiários no mesmo intervalo. Já as seguradoras especializadas em saúde ampliaram sua base de beneficiários de 4,9 milhões em 2000 para 7,1 milhões em 2025, registrando um crescimento de 18,3% entre 2019 e 2025. Em janeiro de 2026, esse segmento destacou-se com a maior variação anual entre todas as modalidades, alcançando 8,6%.
Por outro lado, a autogestão reduziu participação no mercado, caindo de 17,2% para 8,6% ao longo das últimas duas décadas. Em janeiro de 2026, a queda anual foi de -1,5%, com diminuição de 69,8 mil beneficiários. A filantropia também perdeu participação relativa, passando de 3,7% para 2,1% do mercado entre 2000 e 2025, embora registrasse leve alta de 0,8% no último ano.
Para Vianna, a relação entre mercado de trabalho e saúde suplementar continua sendo um dos fatores estruturais mais importantes para compreender a evolução do setor.
“O crescimento dos planos coletivos empresariais acompanha de perto a evolução do emprego formal no Brasil. Isso mostra como a saúde suplementar está integrada à dinâmica do mercado de trabalho e ao papel dos benefícios corporativos”, afirma.
Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o estoque de empregos formais no Brasil passou de 47,3 milhões para 48,6 milhões, crescimento de 1,2 milhão de vínculos (alta de 2,6%). No mesmo período, o número de beneficiários vinculados a planos coletivos empresariais médico-hospitalares subiu de 37,4 milhões para 38,7 milhões, alta de 3,3%.
Ainda segundo análise do IESS, a expansão da saúde suplementar continua associada ao mercado de trabalho formal. Em janeiro de 2026, 73% dos beneficiários de planos médico-hospitalares estavam vinculados a planos coletivos empresariais, modalidade que tradicionalmente acompanha a evolução do emprego formal no País.



