Mercado Livre testa venda direta em farmácia em SP e aguarda aval para marketplace

Bloomberg Línea — O Mercado Livre (MELI) passou a usar uma pequena farmácia de bairro adquirida na zona sul de São Paulo como laboratório para entender o varejo farmacêutico brasileiro, mas o plano final é outro. A empresa quer operar como marketplace, conectando farmácias de todos os portes a seus 100 milhões de consumidores no país.

A compra da Farmácia Cuidamos, anunciada em agosto, serve para testar o modelo 1P, aquele em que a empresa controla diretamente as vendas. Enquanto isso, a companhia aguarda atualização da regulamentação brasileira para migrar ao formato 3P, o tradicional marketplace, como já funciona no México, na Argentina, na Colômbia e no Chile.

“Compramos para testar, para ver como funciona. Essa farmácia vai atender aquela região. E em paralelo estamos tendo conversas com formadores de política pública para atualizar a regulamentação e permitir que possamos operar no modelo marketplace”, afirmou Fernando Yunes, vice-presidente sênior de Commerce e líder do Mercado Livre no Brasil, durante entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (9).

Yunes foi enfático ao descartar planos de criar uma rede própria.

“Não temos planos de fazer aquisição e não está no radar. A ideia é testar essa farmácia para começar a aprender do segmento. Mas não é a nossa ambição criar uma rede via 1P”.

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Ele dimensionou o mercado farmacêutico brasileiro em cerca de R$ 200 bilhões anuais, com penetração online na casa de 10%, o que representa R$ 20 bilhões em e-commerce.

A empresa rebateu acusações recentes da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A entidade alegou que o Mercado Livre já comercializa medicamentos na plataforma, opera telemedicina e mantém negociações não reveladas com a Memed, plataforma de prescrição digital.

Adriana Cardinali, diretora e líder do jurídico de e-commerce no Brasil, classificou todas as alegações como infundadas. “Hoje a venda de medicamentos na plataforma do Mercado Livre é proibida. Não existe comercialização de medicamentos atualmente. Somos entrantes nesse mercado”, afirmou.

Yunes questionou: “Disseram que vendemos medicamentos. Você entra no Mercado Livre para achar uma aspirina, uma Novalgina, não vai encontrar. Então é mentira, é difamação”.

Procurada pela reportagem, a Abrafarma não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

RDC 44/2009 impede marketplace

O obstáculo para o marketplace está na RDC (Resolução da Diretoria Colegiada) 44/2009 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

“A regulamentação foi feita há bastante tempo. Por exemplo, compra via fax — ninguém mais envia fax — mas a compra via marketplace não é autorizada”, disse Yunes.

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Questionado sobre o que aconteceria se a regulação não mudasse, foi direto: “Teríamos duas opções: ou fazer uma aquisição, criar uma rede enorme de farmácias, e aí sim o Mercado Livre acabaria sendo concorrente das pequenas, médias e das grandes, ou não avançar e não entrar em farma. Mas o que queremos é o modelo 3P, ter as farmácias prosperando no Meli”.

Túlio Landin, diretor sênior de Marketplace, detalhou o aprendizado buscado com o modelo 1P. “Queremos entender como operar no setor. Isso inclui desde como o consumidor busca um produto até logística e armazenagem. Armazenar e transportar medicamentos é feito de forma diferente do que acontece com uma roupa”, disse.

Yunes explicou o valor do marketplace para grandes redes usando supermercados como exemplo, sem identificar. “Uma consegue chegar com as lojas dela em 60% das cidades do Brasil. Com o Mercado Livre chegam em 99%”, disse.

Para pequenas farmácias, o executivo citou o trabalho da companhia em polos de moda. “No Brás, lojas pequenas, sem estrutura online. Estamos trazendo acesso de e-commerce para essas lojas. Já temos oito polos no Brasil”, disse.

Pressão no setor, segundo analistas

A entrada do Mercado Livre no varejo farmacêutico tem sido acompanhada de perto por analistas do mercado financeiro. O Itaú BBA avalia que o setor enfrenta “uma mudança estrutural na competição” e considera “impossível não contar com pressão adicional” sobre as margens das farmácias tradicionais.

Relatório do banco projeta que o Mercado Livre começará pelos medicamentos OTC (sem prescrição), que oferecem margens brutas de 35% — contra 15-17% dos produtos com receita.

Apesar da pressão competitiva, o Itaú BBA acredita que grandes redes como Raia Drogasil (RADL3), Panvel (PNVL3) e Pague Menos (PGMN3) “devem prevalecer em base relativa” por terem lojas próximas aos consumidores.

No encontro com jornalistas, o Mercado Livre também apresentou dados sobre fiscalização de anúncios na plataforma. O relatório de transparência mostra que sistemas internos identificaram e removeram 99% das publicações irregulares no primeiro semestre de 2025.

Landin citou como exemplo a suspensão de anúncios de bebidas alcoólicas destiladas após mortes por intoxicação com metanol em produtos adulterados.

“Diante da crise de saúde pública, suspendemos os anúncios. Isso aconteceu antes da notificação da Secretaria Nacional do Consumidor. Ainda que não tenhamos identificado nenhum caso na nossa plataforma, continuamos comprometidos com o ambiente seguro”, disse.

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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