Diretor diz que ‘adora que crie controvérsia’

Outro que adora Alma é o também professor Hank (Andrew Garfield). Mais jovem, cheio de charme, que joga tanto para a amiga de profissão quanto para as alunas, ele vem de origem humilde e ralou muito para galgar sua carreira acadêmica. Em uma festa na casa de Alma (na sequência cheia de diálogos que trazem desde noções sobre Michael Foucault até a tal da meritocracia e os movimentos identitários), ele praticamente inquire Maggie sobre o porquê dela nunca mostrar nada da tese que está desenvolvendo. Ele suspeita que se trata de um mero plágio.

Ao final da festa, Hank e Maggie são os últimos a sair e pegam o elevador juntos. No dia seguinte, entendemos que há algo a mais que apenas amizade e admiração na relação dos professores. Não necessariamente algo concreto, mas há uma eterna sedução nos gestos e olhares entre Hank e Alma. No dia seguinte também, Maggie conta a Alma que, depois da festa, Hank a estuprou. Está posto um dos grandes nós da trama. O que Alma deve fazer? Imediatamente se solidarizar com a aluna e encampar sua defesa e, consequentemente, a acusação a Hank ou se deixar levar pela dúvida de que Maggie pode estar mentindo? Há muito em jogo em cada movimento deste xadrez de poder e desejos reprimidos, traumas recalcados e dinâmicas sociais e raciais.

Ao comprar a ideia de Nora Garret e decidir filmar essa trama, Guadagnino sacudiu o vespeiro de onde podem tanto sair discussões necessárias sobre violência, machismo, racismo, classismo, gênero, assédio sexual e moral, disputa voraz pela carreira (no caso, a acadêmica), moral, sororidade, cultura do cancelamento, e, claro, a própria natureza humana em si, que está longe de ser simples ou simplista. O ser humano é complexo, obviamente, e todos carregam em emoções e posturas contraditórias. Exigir coerência total de quem quer que seja é, no mínimo, utópico.

No entanto, questionado pelo Splash UOL se queria mexer nesse vespeiro quando decidiu filmar “Depois da Caçada”, Guadagnino desconversou. “A verdade é que adoro o roteiro, adoro a Julia, adoro Ayo, o Andrew, o Michael e todos os outros. Sou como uma criança. Tenho essas lindas ferramentas nas mãos e esses lindos amigos para brincar. E eu vou brincar no parquinho. Não me proponho a fazer nada além disso, a não ser brincar com o cinema de uma forma que possa ser um passeio para o público, ou seja, quero entreter as pessoas”, declarou.

Diretor dos cultuados “Me Chame Pelo Seu Nome” e “Rivais”, além de “Queer”, Guadagnino sempre faz mais que entreter. Seja a descoberta do sexo e do amor, da posse, do ciúme, seja a própria psique humana e seus desejos (por vezes óbvios e por outras muito bem guardados) sempre estão no centro da ação de seus filme.

O cineasta italiano pode nem sempre acertar, mas nunca se nega a filmar histórias que provocam, intrigam e, como neste último caso, incomodam e nos deixam com mais dúvidas que respostas. Seu cinema não responde nada e chega a confundir e até irritar, mas jamais menospreza a inteligência do espectador. Cabe ao público, espiar as frestas de caráter que cada personagem tem e, tentar, decidir quem diz a verdade ou, mais do que isso, se de fato a verdade importa ao final. Incomoda, e muito, o fato que dizer a verdade sobre um ocorrido não isenta ninguém de estar mentindo sobre o outro. Mais incômodo ainda é a certeza de que cada um opera sob sua ótica, sua certeza e sua verdade, sua ética (ou a falta dela).

Fonte: UOL

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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