Bradesco (BBDC4) dispara 50% e ‘come’ parte de valorização de analistas; ação ainda vale a pena? – Money Times


Entenda como o Bradesco está se reestruturando sob a liderança de Marcelo Noronha e seus impactos no mercado financeiro (Imagem: iStock/Global_Pics)

Mudar o rumo de um transatlântico exige tempo, força e precisão — e o Bradesco (BBDC4), sob comando de Marcelo Noronha, já dá sinais de que a manobra está em curso.

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Desde que assumiu o leme do banco, Noronha vem promovendo uma reestruturação que o próprio descreve como “step by step” (passo a passo). De início reticente, o mercado começa a mostrar sinais de confiança nos novos rumos do banco.

Isso se traduz no desempenho das ações na B3. Apenas neste ano, os papéis do Bradesco acumulam valorização de 50%, bem acima do Ibovespa e do rival histórico Itaú Unibanco (ITUB4).

É claro que a base de comparação ajuda: mesmo com a recuperação, o Bradesco ainda é negociado nos patamares de 2023, na casa dos R$ 17. A dúvida que fica é: há mais upside pela frente para as ações?

Por um lado, o desempenho recente da ação foi tão bom que acabou antecipando uma parte do potencial da valorização.

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De acordo com levantamento do TradeMap, de 10 analistas, quatro têm recomendação neutra e seis, de compra, com upside médio de 14%. 

Mas para quem acredita que o papel pode ir além, o sucesso da reestruturação em curso deve se somar a outro fator que deve impulsionar a ação: a queda da taxa básica de juros (Selic).

Bradesco: da crise à reestruturação

Nos últimos cinco anos, o Bradesco teve uma trajetória de altos e baixos. No início da década, as ações BBDC4 chegaram a R$ 30, atingindo máximas históricas, mas a pandemia derrubou a bolsa e o papel.

No entanto, sinais de alerta surgiram ainda em 2021, com a inadimplência disparando devido à alta exposição a clientes de menor renda, queda de lucro e ROE (retorno sobre o patrimonio líquido), e problemas na seguradora do banco, culminando em perda de 17,38% em um único pregão.

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A saída de Octavio de Lazari Jr. e a chegada de Marcelo Noronha, em novembro de 2023, marcaram uma mudança decisiva na gestão. A troca, considerada abrupta por observadores, teve como objetivo estancar a queda nos resultados e reorganizar o banco.

Pouco depois, o rombo de R$ 20 bilhões da Americanas (AMER3) afetou diretamente o Bradesco, que teve de provisionar integralmente R$ 4,9 bilhões, causando queda de 15,66% nas ações em fevereiro de 2023.

Novo plano: step by step

No mesmo dia em que o mercado fez cara feia para o resultado, poluído pela varejista, Noronha anunciou o plano de voo que colocaria o Bradesco de volta na trajetória da recuperação do lucro e do crescimento.

As medidas miravam os anos de 2024 a 2028 e visavam retomar a rentabilidade do Bradesco. Transformá-lo em algo mais ágil, além de reduzir custos, melhorar eficiência, modernizar tecnologia e reposicionar alguns segmentos do banco para capturar mais valor — tudo isso enquanto gerencia riscos de crédito.

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Gestores que conversaram com o Money Times disseram que o CEO foi peça fundamental nesse quebra-cabeças, com transformações das mais amplas, como concessão de crédito e controle de riscos, às mais simples, como bonificação de executivos.

“A entrada de Noronha representou uma evolução grande na frente de controle de risco de crédito, queda de inadimplência; a seguradora, que já vinha com resultados fortes, manteve esse ritmo e melhorou ainda mais — principalmente na área de saúde, que é o grande gerador de resultado da seguradora do Bradesco”, disse o gestor Daniel Utsch, da Nero Capital.

Já Ezra Gundi, sócio e analista de setor financeiro da Apex Capital, lembra que o executivo alterou o perfil de remuneração dos funcionários. Hoje, os bônus dos executivos dependem dos resultados do banco como um todo, e não apenas das suas áreas.

“Isso fez com que todos ficassem mais alinhados, o que tem trazido um impacto positivo na estrutura do Bradesco. Eles também trouxeram gente de  fora — um executivo do Mercado Livre para liderar tecnologia, uma nova diretora de RH, entre outros nomes —, o que ajudou a renovar o banco, inclusive na parte de sucessão e estrutura organizacional”.

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Essas mudanças, segundo o gestor, fizeram o Bradesco remar de forma mais coordenada e eficiente.

Ainda dá para apostar?

Os gestores que conversaram com o Money Times ainda botam fé nas ações. Segundo eles, o trabalho não acabou e o banco ainda possui melhoras para entregar e, consequentemente, mais valorização.

De acordo com Hugo Queiros, diretor de gestão da L4 Capital, é preciso colocar na equação a melhoria da rentabilidade e uma retomada do crédito com qualidade.

“Enxergamos um custo de oportunidade ajustado por crescimento lá na frente, numa perpetuidade com inflação de 3,5% e juros de 12%”, diz.

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“Estou falando de um ROE  buscando 17%, que acho bem factível — e aí vemos uma expansão de múltiplo, negociando a 1,3x ou 1,4x valor patrimonial, enquanto hoje ele está a book value”.

Em bom português: na visão do gestor, o mercado vai reavaliar o banco como mais lucrativo e eficiente. Isso faria o preço das ações subir, passando de 1x para cerca de 1,3x–1,4x o valor patrimonial, ou seja, uma valorização de 30% a 40%.

“Temos visto uma operação bem gerida, despesas administrativas controladas, área de seguros indo muito bem — entregando um ROE de 25%, o que é excelente —, com boa penetração e crescimento”, diz.

Ele afirma, ainda, que a parte bancária de crédito também vem sólida: carteira saneada voltando a crescer, spreads melhorando, risco caindo, PDD reduzindo — ainda alta, mas em queda.

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“Há espaço inclusive para dividendos, o que explica parte dessa performance melhor que a do Santander.”

Para Paulo Weickert, sócio e chefe de análise da Apex, o Bradesco negocia próximo a apenas 1x o valor patrimonial por ação. “Olhando para frente, em 2026, até abaixo disso — num cenário em que o ROE caminha para superar o custo de capital. Então, achamos que o Bradesco hoje é uma oportunidade”.

Outras melhorias 

Além disso, há outras iniciativas, de mais longo prazo, que ainda não são vistas claramente, mas que parecem promissoras — especialmente investimentos em tecnologia, uma área em que o Bradesco sempre foi muito defasado em relação ao Itaú, seu principal comparável.

“Todos os executivos que comandaram a companhia sempre tiveram um discurso no sentido de evoluir nesses temas, mas nenhum deles conseguiu entregar uma atração real como a que está acontecendo agora”, afirma Daniel Utsch.

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Para não ficar para trás, o banco migrou parte significativa de suas operações para a nuvem, adotou ferramentas de inteligência artificial generativa — como a plataforma interna Bridge — e reforçou a automação de processos. 

Além disso, tem investido em segurança digital, biometria e desenvolvimento de software com IA, por meio da BIA Tech e do uso do GitHub Copilot.

“Vemos essa recuperação continuando, talvez até próxima de 20% em um ano e meio, o que representaria uma rentabilidade bem razoável, suficiente para suportar até um valuation maior do que o atual”, sustenta.

Bradesco x Itaú

Outro ponto destacado pelos gestores é que, apesar da alta de cerca de 50% no ano, o desconto do Bradesco em relação ao Itaú ainda é grande — o que pode representar uma oportunidade.

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Nos cálculos do gestor da Nero Capital, hoje o Bradesco está valendo um pouco mais de uma vez o patrimônio líquido, ainda precificando, na “conta de padaria”, “que ele não gera retorno estruturalmente acima do custo de capital”.

“O Itaú, que é sem dúvida o melhor em execução — às vezes um pouco melhor, às vezes muito melhor, mas ultimamente muito melhor — já negocia a quase duas vezes o valor patrimonial (1,8x–1,9x)”.

Para ele, não é que o Bradesco vá fechar completamente esse gap, mas pode reduzi-lo nos próximos trimestres ou semestres.

Além disso, o BBDC conta com uma forcinha vinda de fora: a ação é um veículo natural para o estrangeiro quando quer “comprar Brasil” — especialmente ligado à economia doméstica, diz o gestor.

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Até setembro, os gringos haviam aportado R$ 4,8 bilhões no mercado acionário local no mês, segundo dados do Itaú BBA. No acumulado do ano até aqui, o montante positivo chega a R$ 26 bilhões.

“O Itaú também é veículo, mas já subiu mais, aproveitou uma janela longa. Já o Banco do Brasil (BBAS3) passa pelo momento oposto: foi muito bem durante quatro ou cinco anos e, agora, enfrenta uma fase mais difícil”, afirma.

Queiroz, da L7 Capital, vai além e diz que uma operação long em Bradesco e short em Itaú pode ser até interessante, apostando no fechamento de gap de ROE, “algo que já aconteceu no passado recente”.

“Hoje existe um prêmio em relação ao ROE (22% contra 14%), mas imagino que esse gap será fechado, porque o Bradesco tem perspectiva de expansão adicional de rentabilidade”.

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Selic pode turbinar Bradesco?

A taxa básica de juros é outro gatilho para as ações do Bradesco. Por emprestar para rendas mais baixas e pequenas e médias empresas, a escalada da Selic prejudica mais o banco. 

“As pequenas empresas não pagam só 15% [da Selic]; pagam CDI mais 5% ou 10%. Ou seja, pagam uma fortuna. Então, essa melhora na situação de juros é muito relevante para elas — e, consequentemente, para o Bradesco”, afirma o gestor da Nero.

Outro ponto é que, pela característica do balanço, o Bradesco tem uma estrutura mais pré-fixada. “Então, num cenário de queda da Selic, ele tende a ser mais beneficiado do que os concorrentes. Quando a Selic subiu, ele sofreu mais; agora, com a queda, deve colher os benefícios”, diz Gundi.

Mas para que um ganho real ocorra, o que mais importa, na verdade, é a precificação dos juros longos, afirma Daniel Utsch.

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“Qualquer movimento — seja macro global, fiscal, político, eleitoral, o que for — que derrube o juro longo, esse sim é o que faz preço”.

De acordo com ele, um corte pontual da Selic já está precificado e não mexe tanto com o mercado.

“Vemos a Selic começando a cair no mês que vem, na primeira ou segunda reunião, talvez chegando a 11% ou 10,5% no final de 2027. O ponto positivo para a variável é se houver algum movimento que derrube o juro de 10 anos, que ainda está perto de 14%.”

Se esse juro cair, diz, ele serve de patamar de precificação para os bancos — e o Bradesco, entre os grandes, é o mais sensível a isso.

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Ainda falta mais?

Apesar da melhora recente nos resultados, o BBDC terá que suar mais a camisa.

Segundo Utsch, da Nero, ainda não há sinais consistentes de que o banco tenha superado de vez sua fase mais difícil. 

Ele destaca que o retorno atual, em torno de 15%, segue abaixo do custo de capital estimado entre 16% e 17%, o que indica que a operação ainda não é plenamente saudável. 

“Não é porque o último trimestre veio bom que dá para dizer que virou definitivamente. Ainda não é uma operação plenamente saudável, nem que pague de forma sustentável o custo de capital”.

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De qualquer forma, para analistas, o banco também conquistou seu espaço nas carteiras recomendadas.

De acordo com levantamento do Money Times com 18 analistas, o Bradesco saltou de duas indicações em setembro para seis recomendações em outubro.

A Toro foi uma casa que colocou o BBDC para dentro. Os analistas o elegeram como top pick (favorita) entre os grandes bancos, apresentando também o preço-alvo de R$ 24.

“Em nossa visão, os resultados do segundo trimestre confirmaram que o banco está no caminho para atingir um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) acima do seu custo de capital próprio (Ke) em 2025.”

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Fonte: Money Times

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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