Lucro do Bradesco desacelera no 3º tri e é afetado por inadimplência no agronegócio

Bloomberg Línea — O Bradesco (BBDC4) registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,2 bilhões no terceiro trimestre de 2025, o que representa um crescimento de 18,8% na comparação anual, mas de 2,3% frente ao trimestre anterior. Comparado ao desempenho do segundo trimestre, o crescimento do lucro mostrou desaceleração.

O resultado, que ficou em linha com o consenso de analistas consultados pela Bloomberg, também indicou desafios da operação do Banco John Deere no agronegócio, segundo o balanço divulgado na noite desta quarta-feira (29).

O desempenho trimestral do Banco John Deere mostrou riscos da estratégia no agronegócio do banco da Cidade de Deus, em Osasco. O setor enfrenta volatilidade climática, oscilação de commodities e endividamento de produtores.

No início do ano, o Bradesco concluiu uma operação que incluía a compra de 50% de participação no Banco John Deere, ligada à fabricante de maquinário agrícola. A aquisição, que deveria fortalecer sua posição rural, virou fonte de pressão sobre indicadores de qualidade.

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A inadimplência acima de 90 dias ficou em 4,1%, mas com dinâmicas opostas. Enquanto micro, pequenas e médias empresas melhoraram 0,6 ponto percentual, pessoas físicas sofreram pressão dos atrasos no Banco John Deere.

O Bradesco descreve esses créditos como “colateralizados e sujeitos à linha do tempo de recuperação distinta”, ou seja, com dificuldades práticas para executar garantias.

O custo de crédito subiu de 3,2% para 3,3%, pressionado por provisões para casos do atacado e do Banco John Deere. A carteira reestruturada caiu R$ 8,2 bilhões no ano, uma redução de 30%, indicando limpeza de créditos problemáticos via renegociações, recuperações ou baixas contábeis.

O banco acelerou migração para crédito garantido. Linhas seguras subiram de 58,5% para 59,5% da carteira em três meses — cerca de R$ 10 bilhões —, migrando para produtos de menor risco como consignado, rural e cartões alta renda. A estratégia traz segurança, mas sacrifica spreads.

A carteira expandida cresceu 9,6% no ano para R$ 1,034 trilhão. A receita de juros avançou 16,9% — quase o dobro do crescimento da carteira. O spread médio subiu de 8,8% para 9,0%, mostrando que ganhos vêm mais de preço que volume.

A Bradesco Seguros foi destaque: lucro de R$ 2,5 bilhões e ROAE (retorno sobre o patrimônio líquido médio) de 22,4%, ante 14,7% do consolidado. Isso mostra que a seguradora carrega a rentabilidade do grupo.

O banco distribuiu R$ 3,8 bilhões aos acionistas, mas mantém capital excedente (Tier 1 de 13,4%) — tem dinheiro sobrando para uma rentabilidade de apenas 14,7%.

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Despesas operacionais cresceram 9,6% no ano, acima da inflação de 5,2%. Excluindo participação nos lucros, o aumento cai para 2,5%. O banco controlou custos estruturais, mas pagou mais bonificações. O índice de eficiência permanece estável em 50% há trimestres, sem ganhos da transformação digital.

Meta de sustentabilidade

No terceiro trimestre, o banco abriu 34 agências da bandeira Principal, voltada para alta renda, intensificou correspondentes Bradesco Expresso e aprimorou aplicativos corporativos. Implementou sistema de cash management e programa de evolução cultural, mas iniciativas não se traduziram em melhorias de eficiência.

Na sustentabilidade, o banco atingiu 100% da meta de alocar R$ 350 bilhões em créditos para setores com benefícios socioambientais — como energias renováveis, agricultura sustentável e eficiência energética — três meses antes do prazo de dezembro.

O cumprimento antecipado indica questões sobre a ambição da meta ou a flexibilidade dos critérios usados para classificar financiamentos como sustentáveis.

A qualidade da carteira melhorou: créditos de baixo risco (Stage 1) cresceram 30 pontos-base, enquanto créditos problemáticos (Stage 3) caíram 20 pontos-base.

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Ismael Martins de Souza Costa Xavier

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